Entrevista ao Prof. Nuno Cristóvão, “Se subestimarmos os adversários entramos a perder os jogos”

1dezembrofeminino: Como analisa o Grupo 2 de Apuramento para a Liga dos Campeões Feminina?

Nuno Cristóvão: Os sorteios não se escolhem. Jogamos com quem nos sai em sorte. Mas não vale a pena pensar muito nele e perder demasiado tempo por ter saído esta ou aquela equipa. Em relação a este não gostei do mesmo pois calharam-nos as equipas mais fortes que nos podiam sair nos potes 2 e 3. Até pode ser um aspecto motivador se as jogadoras assim o quiserem. É um grupo onde me parece haver três candidatos ao 1º lugar: nós, o campeão húngaro – MTK e o ASA – campeão israelita.

1dezembrofeminino: Concorda que este seja o grupo mais acessível que já calhou ao 1.º Dezembro e, assim sendo, vê algum perigo de subvalorização das equipas adversárias menos cotadas?

N.C.: Desde que sou treinador do 1º Dezembro é certamente o grupo mais acessível. Ao longo das anteriores nove participações europeias da nossa equipa é a 2ª vez que o 1º Dezembro não tem no seu grupo uma equipa dos 12 países mais fortes do ranking de equipas femininas de clubes da UEFA.
Relativamente ao perigo que referem, procurámos chamar a atenção para a valia das equipas que vamos defrontar, mesmo sabendo que os treinadores não modificam aquilo que as jogadoras pensam. O que posso dizer muito claramente é que se subestimarmos os adversários entramos a perder os jogos. E eles vão ser muito equilibrados. Não há nenhum jogo ganho antecipadamente.

1dezembrofeminino: Este poderá ser o ano do “salto”. Que argumentos apresenta a equipa enquanto cabeça-de-série do grupo?

N.C.: Apesar de sermos considerados os cabeças de série essa não é a minha opinião. Só o somos porque temos muitas presenças na prova e somámos, por isso, mais pontos que o MTK da Hungria. Esta sim é a equipa cabeça de série e a equipa mais forte do grupo.
Aliás, a Hungria está à frente de Portugal tanto no ranking de selecções da FIFA (33º lugar, sendo o 19.º país europeu e nós em 36.º sendo o 21.º país no continente) como no de ranking de clubes da UEFA (Hungria está em 21.º lugar e Portugal em 24.º este ano).
O MTK esteve no ano passado pela segunda vez na Champions, nos 1/16 avos de final, empatou um jogo e perdeu outro. Tinha já estado em 2005/06 e só perdera com o cabeça de série, tendo empatado os outros dois jogos.
Enquanto equipa os argumentos que podemos apresentar passam pelo respeito que temos de ter pelos adversários, pela qualidade que temos demonstrado ao longo das várias épocas e que procuraremos colocar em campo e pela humildade com que encararmos cada jogo.

1dezembrofeminino: Que vantagens encontra na realização do mini-torneio de apuramento para a Liga dos Campeões em Sintra? E desvantagens, existem?

N.C.: A grande vantagem é jogar em casa, apesar de as partidas não se efectuarem no nosso campo. Depois tudo o que se relaciona com adaptações a horários, clima e alimentação.
Quanto a desvantagens só encontro a eventual responsabilidade que a equipa pode apresentar por jogar em casa e “achar” que tem a obrigação de ganhar a fase de grupos, apesar de ser esse o grande objectivo – passar aos dezasseis-avos de final. Recordo que, para lá do vencedor do grupo, também os dois melhores segundos dos oito grupos em competição seguem para a fase a eliminar.

1dezembrofeminino: A organização da prova reuniu, como se sabe, alguns apoios fulcrais para a realização do Grupo 2. Como vê esta situação?

N.C.: A resposta a esta questão vou fazê-la em termos exclusivamente pessoais e que, portanto, não vincula o clube que sirvo actualmente.
Em primeiro lugar não posso deixar de realçar o apoio dado pela FPF à candidatura do 1º Dezembro a esta organização. Devo mesmo dizer que se não fosse o apoio daquela instituição, personalizada no seu secretário-geral, Eng. Ângelo Brou e na sua secretária, Teresa Romão, esta fase de grupos não teria vindo para Portugal.
Depois agradecer ao Sintrense, ao Casa Pia e ao Cacém por disponibilizarem os seus campos para a realização dos jogos e treinos indispensáveis à prova.
Sublinho também as parcerias que o Amazónia Jamor Hotel, a rodoviária da Estremadura e as águas Serra da Estrela estabeleceram com o 1º Dezembro. Finalmente registar também o envolvimento do projecto “O Jogo das Raparigas” e do site zerozero.pt nesta prova. Foram as empresas e instituições que acreditaram na importância da prova, no contributo que a mesma pode ter no desenvolvimento do Futebol Feminino e não posso deixar de o registar, ao contrário de outras entidades que não o fizeram e que tinham muito mais responsabilidades.

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