Final da Taça de Portugal, S.U. 1.º Dezembro vs C. F. Benfica, por Maria João xavier

Aproxima-se rapidamente a Final da Taça de Portugal Feminina, competição que vai para a sua oitava edição e conheceu 3 vencedores diferentes: a equipa sintrense, o Murtoense e o Escola.

Destas oito edições, a SU 1º Dezembro venceu cinco, sendo o 1º clube a conquistar o troféu, na época de 2003/2004. Depois disso, conquistou o troféu três épocas consecutivas (2005/2006 a 2007/2008). Na época de 2008/2009, a SU 1º Dezembro foi eliminada pela desaparecida equipa do Odivelas, naquela que representou a sua última derrota em competições nacionais.

A época de 2009/2010 marcou esta competição de forma inesquecível. A final seria, finalmente, disputada no recinto de eleição para esta competição, à semelhança da vertente masculina, o Estádio Nacional, no Vale do Jamor. Foi a cereja no topo do bolo para um conjunto de atletas, que pela 1ª vez teve a oportunidade de jogar nesse palco.

Coincidiu, para nós, com a despedida da grande capitã Carla Cristina. Que melhor local para abandonar os relvados? Que melhor prémio pela longa e recheada carreira podia desejar, subir à tribuna e levantar a Taça conquistada? Creio que a Carla melhor que ninguém poderá expressar este sentimento.

Mas, não só foi uma final “diferente” e emocionante, apenas a Carla Cristina. Foi, igualmente, inesquecível para todas as atletas que pela primeira vez disputaram a final no Estádio Nacional. Acrescente-se a estas, os treinadores e dirigentes dos clubes envolvidos, incluindo os adeptos que se deslocaram ao Jamor.

Com enorme respeito por todas as equipas, apanágio da SU 1º Dezembro, a final do ano transacto contou com duas das equipas com maiores pergaminhos no futebol feminino. Até neste aspecto, o jogo da final tinha todos os ingredientes para ser memorável.

O Boavista, equipa até então com mais títulos conquistados (palmarés entretanto igualado já esta época pela SU 1º Dezembro) iria defrontar a equipa com maior número de troféus conquistados e que tem dominado o panorama nacional da vertente feminina, nos últimos 10 anos.

Do ponto de vista desportivo, o jogo pouca história teve. A supremacia da equipa de Sintra foi por demais evidente, com o jogo a ter sempre o caminho da baliza da guarda-redes boavisteira, que foi fazendo os possíveis para evitar que a marcha do marcador fosse sendo cada vez mais avolumada. Não quer isto dizer que o Boavista entregou o jogo de bandeja. Não, de todo. Mas a diferença foi evidente.

E, para esta diferença, goste-se ou não, contribuiu (e de que maneira) uma atleta fenomenal, que espalhou magia pelo tapete do Estádio Nacional, que já todos adivinharam: a Carla Couto. Foi, naturalmente, considerada a melhor atleta da final (mais que merecido). Foram momentos de pura fantasia que proporcionou para a bancada central, que se encontrava composta e para a tribuna de honra, que contou com a presença da primeira-dama, Dra. Maria Cavaco Silva, entre outros distintos convidados.

A emoção sentida por todos que tiveram a oportunidade de pisar o Estádio Nacional é indescritível. Ao fim de 6 anos a ser disputada em distintos estádios e espalhados pelo país, finalmente, iriam sentir o que era jogar no mítico Estádio Nacional.

Para algumas das atletas, de ambas as equipas, foi a primeira oportunidade que dispuseram para jogar perante tamanha assistência (cerca de 5000 espectadores, segundo informação divulgada pela imprensa desportiva e FPF).

Na presente época, o palco volta a ser o mesmo e só pode ser interpretado como sinal positivo do impacto obtido da época passada, sendo que a realização do interassociações de futebol feminino teve a sua importância para o número de pessoas que se deslocaram ao Vale do Jamor. Este ano, ainda que não haja interassociações, a FPF divulgou a iniciativa da realização de jogos sub-16 ao longo do dia, sem atribuição de classificação. Será, estamos em crer, uma excelente oportunidade para a equipa técnica nacional poder observar as futuras atletas para a selecção sub 18/sub19.

Para a nossa equipa, a conquista da Taça de Portugal representa mais uma possibilidade para fazer a dobradinha na presente época. Mas, para que ocorra, teremos que mostrar dentro de campo que merecemos essa conquista.

Não se aguardam quaisquer facilidades na final contra o Clube Futebol Benfica. Ainda que a realizar uma época irregular no Campeonato Nacional, com alguma agitação na fase inicial, que prejudicou o seu desempenho, a chegada ao Jamor foi conquistado com inteiro mérito. No jogo da meia-final, contra o Cadima, esteve mais próximo das suas reais capacidades, face ao conjunto de atletas que compõe o actual plantel.

Na realidade, muitas vezes recorre-se à comparação desta equipa do Clube Futebol Benfica com a dissolvida equipa do Odivelas. Não pensamos que seja uma análise comparativa que seja justa para as atletas do Fó fó. Não porque seja errado dizer que mais de metade das atletas transitou de um clube para o outro, quando se deparou com o encerramento abrupto da equipa em Odivelas. Mas sim porque retira algum mérito às que agora fazem parte do grupo e que estiveram na génese desta conquista. Além disso, a equipa técnica e toda a estrutura de retaguarda é outra e foi esta que conseguiu o apuramento. Há que reconhecer o seu a seu dono. Ainda assim, é compreensível que se recorra a esta comparação, mesmo que involuntariamente. Não há forma de dissociar a equipa do Odivelas que derrotou a SU 1º Dezembro, precisamente numa eliminatória da Taça de Portugal de 2008/2009 com esta que integra o Fó fó.

O que a SU 1ºDezembro deseja para este dia, além da conquista de mais um troféu para o seu palmarés, é que esta final represente um bom espectáculo, que seja repleta de emoções e que estas possam ser transmitidas à assistência, que se espera consiga, pelo menos ultrapassar a da época passada.

Há que aproveitar as (poucas) oportunidades de publicidade que o futebol feminino possa conquistar. A disputa da final no Estádio Nacional é uma delas.

Maria João Xavier, S.U. 1.º Dezembro

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