Associação Portuguesa Mulheres e Desporto: entrevista a Tânia Pinto

Aqui deixamos um excerto:

R.  Achas que em Portugal as raparigas treinam e jogam bom futebol?

T.P: Acho que as jogadoras portuguesas têm muita qualidade e, se lhes fossem dadas outras condições de treino e de jogo, seriam das melhores do mundo. Apesar dos passos que têm sido dados em prol do desenvolvimento do futebol feminino –  muitas vezes serem pouco ambiciosos e demorados – a verdade é que cada vez surgem mais raparigas a querer jogar. É uma pena que, em mais este aspecto da vida, tenhamos de ficar para trás em relação aos outros países da Europa.

JR. O que sentes quando vês na televisão os estádios da liga profissional, cheios de pessoas, jornalistas, câmaras e fotógrafos?

T.P: Sinto uma grande tristeza por não ser possível canalizar uma ínfima parte da atenção que se dá ao futebol masculino para o feminino. Não quero contudo fazer comparações entre o futebol masculino e o feminino, no sentido de retirar a um e dar a outro. Refiro-me à necessidade de uma efectiva igualdade de oportunidades. Deveres e direitos iguais, não é assim? A realização da Taça de Portugal no Estádio do Jamor  (pela 2ª vez) é, sem dúvida, um passo em frente em termos de igualdades de oportunidades. Mas é preciso mais.

JR. O que pensas sobre a desculpa das “mentalidades” usada para justificar as dificuldades das mulheres e raparigas em conquistar o seu espaço no futebol?

T.P: Se me fizesse esta pergunta há 10 ou há 5 anos atrás, diria que as mentalidades – centradas no papel doméstico da mulher –  têm impedido as raparigas de conquistarem o seu espaço no futebol. Hoje essa não pode continuar a ser a única justificação. As mulheres ganharam o seu espaço nos vários domínios da sociedade, sendo possível observar cada vez mais mulheres em cargos de topo de muitas actividades. E este espaço aumentará à medida que os anos forem passando graças ao acesso ao ensino – sendo a presença feminina no superior a maioria. As mentalidades mudam necessariamente a reboque do conhecimento e da instrução. Se o caminho geral se faz lentamente, também no desporto feminino acontecerá.

É preciso dar a conhecer às pessoas a qualidade do nosso futebol, é preciso que os clubes apostem no futebol feminino, é preciso que nos clubes também as mulheres ocupem cargos dirigentes, é preciso dar às jogadoras melhores condições de treino e de jogo, etc.. No fundo, em meu entender, é preciso que as pessoas responsáveis se importem connosco. Mas é também preciso que sejamos pró-activas e interessadas no que toca ao conjunto de estruturas que compõem e conduzem ao sucesso uma equipa de futebol/futsal feminino. Exigir, sim. Trabalhar, também!

Para ler na íntegra.

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