“A bola, um prolongamento do corpo”, por Isabel Osório

Treino de fintas desde cedo

A propósito deste post, no qual se falava de fintas no feminino (com o mesmo vídeo que podem ver aqui), aconselha-se a leitura de um artigo de Isabel Osório, jogadora do Maia, intitulado “A bola, um prolongamento do corpo” (PDF), sobre a mesma questão.

Aqui fica:

“Após visualizar um vídeo no site http://aminhabola.blogspot.com/ sobre raparigas de 12/13 anos a treinarem Skills, resolvi escrever sobre a importância de (re)conhecer, sentir, a bola como mais um membro do nosso corpo.

Porque é importante começar desde cedo a brincar com a bola? No meu ponto de vista é fundamental já que para todos os jogares a bola é um dos elementos centrais para se jogar e acima de tudo é ela que permite marcar golos.

Assim, tocar a bola exige conhecimento sobre ela. Esta é algo estranho, é algo que existe fora do nosso corpo, fora de nós. Mas este objecto tem uma história, uma história de como tudo começa e de como tudo nunca acaba (acabar é morrer!). É uma história que vai sendo (re)construída por cada jogador, onde 1º estranham e depois entranham.

É importante tocar a bola muitas vezes, com diferentes partes do corpo, com diferentes bolas, diferentes pisos, para aumentar a sensibilidade e o conhecimento sobre ela.
Então essa história irá ser narrada ao longo do tempo pela bola e jogador, que deixarão de ser dois para ser UM.
Agora é necessário pensarmos que tipos de contextos teremos de dar para que essa história se construa lado a lado com a realidade que é o jogo.

Senão consideremos este exemplo de Choshi (2000) ao referir que “quando se vai projectar um carro, o que se pensa inicialmente é fazer um carro bastante estável (…) Mas é interessante notar que, apesar de na construção eles se preocuparem com estabilidade, controlo, e coisas do género, quando a qualidade do carro vai ser testada, ele é levado para o mato, neve, safari, ou seja, o carro é colocado nas condições mais instáveis possíveis para testar o que foi adquirido durante a estabilização. Portanto, o carro é considerado bom quando ele tem a capacidade de adaptação demonstrada nessas situações diversificadas. O ambiente estável para o qual foi projectado tem pouca importância.”

Este exemplo é bastante pertinente para o Futebol, pois como refere Fernandéz (2002) “o futebol admite muitas possibilidades: pode-se evoluir pelo terreno de muitas maneiras, pode-se marcar golos de muitas formas…, em consequência, o futebol permite à criança ir adaptando a sua inteligência nas diversas situações.”

Sendo assim, esta relação com a bola que a criança vai desenvolvendo ao longo do processo ensino-aprendizagem-treino, deve ser uma relação que lhe forneça inúmeras possibilidades de resposta e de acção, para que ela adquira graus de liberdade que quando coordenados permitem atingir um determinado objectivo.

Esta inclusão progressiva de graus de liberdade vão sendo gradativamente controlados, levando o sistema (jogador/equipa) a poder escolher as formas mais eficazes, mais adaptadas a essa situação, ou a poder escolher a solução mais eficiente dentro de um lote de possibilidades enorme (Barreiros, 2004).

Para terminar, esta relação Corpo-Bola-Jogo permite à criança resolver os problemas em situações de jogo, adequados às crianças que temos à nossa frente com os seus défices circunstanciais, permitindo assim no futuro uma realização que “solicite cada vez menos recursos ao cérebro através da adaptação.” (Silva, 2008).

Em busca de um Futebol (Feminino) de Qualidade!”

Isabel Osório

 

in aminhabola.blogspot.com

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