“A Lenta Asfixia do Futebol Feminino na Madeira”

 

As madeirenses Laura Luís (n.º4) e Amélia Pereira (à direita)

A Lenta Asfixia do Futebol Feminino na Madeira

Agora que estamos a chegar ao fim da época desportiva urge a necessidade de avaliarmos o estado das coisas no que concerne ao futebol feminino na Madeira.

A indignação de continuar a contar com minicampeonatos de 4 equipas nos dois escalões (seniores e juniores) persiste. Mais do que apontar o dedo a alguém sente-se a necessidade de tentar fazer alguma coisa para inverter o actual rumo da situação sob pena de agravar ainda mais esta conjectura.

Primeiro, não se compreende que a Associação de Futebol da Madeira que organiza as competições se demita das suas funções e sempre que possa aponte as culpas aos clubes que fazem a formação do futebol feminino na Madeira. Formação essa feita nos clubes que permite à própria AFM participar em torneios no continente com as nossas atletas.

E que crédito se dá a quem trabalha com elas quase diariamente? Praticamente nenhum.
Senão vejamos: alteram-se datas de jogos já marcados sem falar com os clubes (que são apenas 4+4), eliminam-se competições (futebol 11) essenciais e que enriquecem as atletas, dotando-as de experiências e conhecimentos que lhes permitem igualdade em relação às suas colegas do Continente.

Para mais, no que toca a inscrições, numa fase em que se poderia apostar mais forte na divulgação da modalidade, não se percebe porque é que os clubes não são apoiados pela AFM para a inscrição de novas equipas na modalidade. Clubes estreantes que não pagassem inscrições para o futebol feminino certamente seria uma das medidas catalizadoras para modalidade.

Também não se entende que depois de tudo o que foi referido anteriormente ainda agravam mais a situação quando a meio da época expira o limite para novas inscrições. Raparigas com mais ou menos talento que surgem tardiamente mas a quem lhes é negado o acesso à competição e que só treinando, acabam por desistir e, muitas vezes, não voltar mais. Perdem-se potenciais jogadoras de futebol feminino e é mais uma medida asfixiante para a expansão da modalidade.

Todos os anos se fala em alargar a competição a novos locais onde não existem equipas de futebol feminino e nunca se concretizam as ideias. E basta dar uma olhadela pelo Desporto Escolar para verificar que existem muitas e muitas equipas de Infantis, Iniciadas, Juvenis e até Juniores/Seniores a disputar jogos de futebol de escolas de toda a região.

Como a culpa não morre solteira, que dizer dos nossos orgãos de comunicação social que preferem fazer referência a torneios de slots ou até de futebol popular a competições oficiais que apenas “pecam” por serem jogados por mulheres. Nem provas oficiais de selecções femininas são acompanhados pelo nossos jornais diários. De vez em quando lá se lembram da nossa existência e publicam um ou outro resultado com referências erradas e ultra resumidas…

O futebol feminino na Madeira precisa de ser olhado com maior atenção. Reclama para si um estatuto digno de uma modalidade que fornece regularmente jogadoras para as Selecções Nacionais, que tem grande potencial pelas altetas de grande qualidade (basta virem ver um jogo para comprovarem o nível de que falo) que por cá andam e onde ainda se joga o futebol pela sua essência.

Muito mais haverá por dizer mas ficará certamente para uma próxima oportunidade…

Rui Fernandes

Fonte: CS Marítimo futebol feminino (via aminhabola)

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