Crónica de Maria João Xavier sobre a Taça

Carla Cristina levantou a Taça de Portugal (FParaíso)

… E a Final da Taça de Futebol Feminino, chegou, finalmente ao Estádio Nacional!

E, sublinhe-se, chegou muito bem. Demorou 6 anos a conquistar o local em que deveria ser disputada, a exemplo da vertente masculina. Provavelmente, foi necessário perceber que a fórmula até então em vigor não fazia qualquer sentido para o desenvolvimento do futebol feminino em Portugal. Engane-se quem alguma vez pensou assim.

O peso “institucional” que o Estádio Nacional representa, conduz a que haja um maior compromisso na organização/divulgação e a que os representantes do Governo e outras Instituições estejam presentes, bem como a Direcção da FPF (obviamente só pode ser entendido como sinal de apoio, reforçado pelas palavras do Dr. Madaíl), entre outras individualidades, como foi o caso da Dra. Maria Cavaco Silva. As suas palavras devem ser consideradas como ânimo por todos(as), para que esta “conquista” não regrida como, infelizmente, aconteceu em diversas ocasiões com o futebol feminino em Portugal.

Adicionalmente, a realização da final da Taça de Futebol Feminino (TFF), no Estádio Nacional implica, obrigatoriamente, outra logística e outro desafio. E, neste âmbito, a FPF desempenhou o papel que lhe competia. Na semana que antecedeu a final, as notícias divulgadas no sítio da FPF (com replicação em outros sítios, blogues e redes sociais), colocadas em lugar de destaque, nunca antes fora observado. A importância atribuída não tem comparação com nenhuma outra final da TFF realizada. Sendo a FPF a desenvolver estas acções de promoção, foi com alguma naturalidade que se assistiu à divulgação da final na imprensa desportiva escrita. Não foi por falta de difusão que não se iria saber o que estava em disputa no dia 10/04/2010. Esta divulgação, esta atenção foi, ainda, possível observar no dia seguinte à final, onde se podia ler nos 3 diários desportivos as incidências do jogo, entre outros meios de comunicação social que concederam “tempo de antena” à festa que representou a final da TFF.

Mas, a acção da FPF, por iniciativa da sua Direcção (não podia ser de outra forma), moveu, ainda, esforços para que todas as equipas pudessem deslocar-se ao Estádio Nacional, através da disponibilização de autocarros, sem custos para as mesmas equipas, contando com o apoio do Departamento de Jogos da Santa Casa da Misericórdia.

O dia estava óptimo (perdoem-me, mas o acordo ortográfico, ainda, não entrou na minha vida), para que fosse um dia memorável e onde iria ser escrita uma bonita e importante página para o futebol feminino em Portugal. A festa foi bonita, a bancada central estava composta, com muita cor e animação. Não se esperaria um Estádio Nacional cheio (ninguém é utópico para pensar em semelhante coisa), mas correndo o risco de errar, a final do passado sábado, juntou mais pessoas do que todas as outras 6 edições juntas. O espírito foi mesmo de final da Taça, no Vale do Jamor, como me recordo de ter vivido há muitos anos atrás, com os meus pais e familiares.

Tenho a certeza que a aposta da FPF pode considerar-se, uma aposta ganha. Não só pelo número de pessoas que acorreu ao Jamor (pelo que li na imprensa escrita entre 3500 a 5000 pessoas), mas pelo significado que transmitiu, também, a um público muito particular: as atletas presentes no Inter-Associações de Futebol Feminino. O sonho de qualquer atleta de jogar no Estádio Nacional, afinal, não é uma miragem mas sim uma realidade concretizada.

Não me atrevo a dizer que imagino o que os 30 elementos de ambas as comitivas (entre atletas, treinadores e dirigentes) sentiram/viveram. Seria demasiada presunção. Sei, por experiência própria, a outro nível, que estes momentos têm que ser vividos e a emoção tem que ser sentida na primeira pessoa. No entanto, tenho a certeza, que esses mesmos 60 elementos viveram esse dia como um dia único, histórico e importante, ou não fossem eles os pioneiros da realização da final da TFF no Estádio Nacional. Mas posso afirmar sem qualquer dúvida, quem sentiu bem o jogo e esse momento foi a Carla Couto. Começam a faltar adjectivos para descrever a longa e recheada carreira da Carla. Conquistou tudo a nível nacional, jogou no estrangeiro e, vai conquistar um feito fantástico, a curto prazo: tornar-se o(a) atleta mais internacional da FPF, superando o Luís Figo. Desculpem a expressão, mas é obra e não ao alcance de qualquer atleta. A Carla, como todo(a)s conhecem, é uma predestinada para a modalidade que escolheu. Espero, sinceramente, que seja possível observar o aparecimento de mais “Carlas”. O futebol feminino português precisa! Ah e Parabéns Carla. Para quem não sabe, hoje comemora mais um aniversário! O prémio de “Mulher do Jogo”, não só pelos 4 golos mas pelo que jogou e fez jogar, ficou muito bem entregue. Uma ressalva, na minha humilde opinião, todas as atletas foram a “Mulher do Jogo” dado o significado histórico desta final.

Não consigo descrever o que terá sentido a Carla Cristina, com a bonita, singela e merecida homenagem que lhe prestaram, aquando da sua substituição. Foi, porque isso senti, arrepiante. A forma espontânea como o público aplaudiu foi, simplesmente, um momento para recordar, não só pela Carla Cristina, mas para todos que tiveram oportunidade de privar e jogar com (ou contra) ela. Da mesma forma, não consigo ter sequer uma ideia vaga (mas na primeira oportunidade irei perguntar), é o que sentiu a Carla Cristina e as restantes atletas, treinadores e dirigentes quando, em plena tribuna de honra, recebe a Taça das mãos da Dra. Maria Cavaco Silva. Indescritível? Não sei, elas saberão melhor que ninguém. Foram as primeiras e espera-se que não sejam as últimas!

Há dois momentos na sua substituição que, eventualmente, passaram despercebidos a grande parte dos presentes e que guardo com carinho… o abraço sentido da Sandra Silva (Figo), do Boavista, que partilhou inúmeros momentos, estágios, jogos e situações caricatas com a Carla Cristina e, depois, um outro, já fora das 4 linhas, com a Gena, actual treinadora de guarda-redes do Boavista e de quem a Carla Cristina “herdou” a baliza da selecção nacional. Por todos estes momentos, a primeira final da Taça de Futebol Feminino (TFF), não podia ter “melhores finalistas”, não só pelo descrito mas ainda por serem as duas equipas em Portugal com o melhor palmarés.

Quanto ao jogo em si, não há muito a acrescentar. A supremacia da SU 1º Dezembro foi evidente desde cedo, não dando grandes hipóteses ao Boavista. No entanto, o Boavista tem uma equipa muito jovem e que espero que retome o caminho de há uns anos atrás.

Levantou-se a dúvida do motivo pelo qual não tocou o Hino Nacional… Bem, reconheço que eu própria fiquei meia incrédula. O protocolo tem destas coisas e pelos vistos, “A Portuguesa” só é ouvida quando se está presença de uma Selecção Nacional, do Primeiro-ministro e/ou do Presidente da República! Nenhuma destas situações ocorreu, mas estava a Dra. Maria Cavaco Silva e, mesmo fugindo ao protocolo, tinha sido uma emoção adicional.

Uma palavra final, para todos que tornaram possível a realização do jogo no Estádio Nacional, um muito obrigado!

Maria João Xavier, ex-jogadora internacional AA portuguesa (76 vezes) [ex-jogadora do SU 1.º Dezembro]

 

in aminhabola.blogspot.com

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