“Cereja no topo do bolo”, FPF

Nuno Cristóvão comanda o 1º de Dezembro desde o início da presente época (©FPARAISO)

“Cereja no topo do bolo”
Quinta-Feira , 08 Abril 2010

No dia 10 de Abril (sábado), 1º de Dezembro e Boavista vão disputar, pelas 16h00, no Estádio Nacional, a sétima edição da Final da Taça de Portugal de Futebol Feminino. O Treinador do 1º de Dezembro, Nuno Cristóvão falou ao fpf.pt sobre importância do encontro e do que a sua equipa precisa de fazer para vencer a prova pela quinta vez no seu historial.

Nuno Cristóvão em entrevista
fpf.pt:
Qual a importância que tem, para as jogadoras e para si, o facto desta Final da Taça de Portugal ser disputada no Estádio Nacional?
Nuno Cristóvão: O facto da Final ser disputada no Jamor revela-se de grande importância. Na nossa equipa existem várias jogadoras que se vão despedir esta época e que deram muito ao Futebol Feminino – não só ao 1º de Dezembro, como à Selecção Nacional. São jogadoras de uma elevadíssima experiência e com grande maturidade. Esta presença na Final da Taça de Portugal, no Estádio Nacional representa para as jogadoras, para o Clube e para mim, a cereja no topo do bolo. Pessoalmente, desde pequeno que tinha essa ambição de poder estar no Estádio Nacional como intérprete activo do jogo e acabei por concretizar esse sonho. Trata-se de um local, como já temos dito várias vezes, mítico e com muito simbolismo. Quanto mais não seja, esse simbolismo e essa equiparação ao Futebol Masculino e à Final da Taça de Portugal Masculina tem um peso muito grande e por isso tenho de dar os parabéns à Federação Portuguesa de Futebol. Esta decisão, na minha perspectiva, é um passo muito grande na divulgação e desenvolvimento do Futebol Feminino.

fpf.pt: Pelo seu historial e pelo percurso efectuado pelo 1º de Dezembro esta época, pode dizer-se que a sua equipa é favorita a vencer a prova?
Nuno Cristóvão: Assumo essa posição. No entanto, estamos na Final da Taça e numa final existem dois contendores, duas equipas que a podem ganhar. Na minha perspectiva, qualquer equipa pode vencer e se estivesse do outro lado era isso que diria às jogadoras – que existem 50% de possibilidades de vitória para cada equipa. Naturalmente que, face a um passado recente, a esmagadora maioria das pessoas diz que o 1º de Dezembro é um claro favorito. Temos que respeitar esta posição. Mas se não respeitarmos o Boavista, estamos a dar armas muito grandes ao adversário no sentido de perdermos esta Final e é isso que nós não queremos.

fpf.pt: O que é que a sua equipa precisa de fazer para vencer esta Final?
Nuno Cristóvão: Vamos ter de respeitar muito o adversário, sabendo da nossa qualidade e procurando impô-la em jogo. Só no final dos 90 ou dos 120 minutos é que se pode dizer que a nossa equipa foi melhor do que a outra. Trata-se de um jogo e ele decide-se em campo. Da mesma forma que existem elevadíssimos índices de motivação da nossa equipa, por motivos de vária ordem, certamente que na equipa do Boavista esses índices serão ainda maiores. Temos de saber, de uma forma muito clara, aquilo que queremos e podemos fazer. Vamos jogar e desfrutar desta Final, tirando o máximo prazer do jogo, esperando que tudo corra da forma que gostaríamos.

Trajecto até à final
Nuno Cristóvão acedeu analisar cada uma das partidas do percurso até à final:

3ª Eliminatória – Oitavos-de-Final
10.01.2010 | S Marítimo Murtoense 0-4 SU 1º Dezembro
“O nosso primeiro encontro para a Taça [diante do Marítimo Murtoense, a 10 de Janeiro de 2010] realizou-se numa altura em que a equipa atravessava um momento excepcional – fez dois golos na primeira parte, controlando por completo o jogo. A equipa soube gerir essa vantagem até porque, na jornada anterior a esse jogo, tínhamos jogado diante da mesma equipa e já tínhamos conhecimento do que iríamos encontrar. À semelhança do que foi feito ao longo da época, fui gerindo a equipa e acabou por ser uma vitória tranquila onde o mais difícil foi fazer o primeiro golo.”

4ª Eliminatória – Quartos-de-Final
07.02.2010 | UD Oliveirense 0-3 SU 1º Dezembro
“Neste jogo, o resultado foi, na minha perspectiva, algo enganador. O resultado pode dar a sensação houve uma clara supremacia do 1º de Dezembro, o que não foi verdade. A primeira parte, apesar do maior pendor ofensivo da nossa equipa, foi equilibrada e fomos para o intervalo sem golos. Os primeiros minutos do segundo tempo foram decisivos com a obtenção de dois golos por parte da nossa equipa. Jogámos num campo muito difícil, pois as gentes de Oliveira de Azeméis acompanham fortemente a sua equipa e emprestam um grande ambiente em volta do jogo.”

5ª Eliminatória – Meias-Finais
20.03.2010 | Escola FC 0-0 (3-5 gp) SU 1º Dezembro
“No encontro das meias-finais ficámos a dever a nós próprios não termos conseguido a vitória mais cedo. O Escola FC é, claramente, uma excelente equipa, muito bem orientada e com excelentes jogadoras. Foi um jogo disputado sob um grande ambiente. À medida que o jogo foi decorrendo, fomos criando sucessivas oportunidades de golo sem marcar, dando moral à equipa adversária. Tivemos de esperar pelas grandes penalidades para decidir a eliminatória a nosso favor. Tratou-se de uma vitória merecida, mas muito custosa.”

Currículo
Nuno Cristóvão assumiu os comandos do 1º de Dezembro no início da presente época. Com uma forte ligação ao Futebol Feminino, o técnico licenciado em Educação Física, pelo ISEF, treinou a equipa do GS Carcavelos (ao serviço do qual ganhou, na época de 1986/87, o título de campeão distrital de Lisboa) durante duas épocas e, entre 2000 e 2004, comandou as selecções femininas em 55 encontros (40 AA, 8 Sub-19 e 7 Sub-18). Nuno Cristóvão, nascido 10 de Fevereiro de 1959, em Lisboa, treinou também em escalões de formação masculinos de vários clubes – Odivelas FC, CD Olivais e Moscavide, CF Os Belenenses, CF Estrela da Amadora, CAC da Pontinha e SL Benfica.

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