A “pequenina” Taça de Portugal

Um dos episódios da luta pelo reconhecimento de que a Taça de Portugal de Futebol Feminino merece o mesmo respeito e valor que a sua vertente masculina, deu-se há 6 épocas atrás numa situação caricata.

Clique na imagem para ler a notícia

Dia 6 de Junho de 2004 jogava-se a Final desta competição entre SM Murtoense e SU 1.º Dezembro. Era a primeira edição desta competição que desde sempre ouviamos falar e que, nesta época (03/04), começámos a ter o direito de disputar. Sabendo que a partida não seria jogada no palco mais desejado (Jamor), foi eleita uma localização “imparcial”: Estádio Municipal de Abrantes.

Um Estádio na verdadeira acessão da palavra, bem diferente dos campos onde habitualmente jogávamos para o campeonato: bancadas, pista de tartan a toda a volta e um relvado com dimensões oficiais. Apesar das bancadas um pouco despidas, as jogadoras e treinadores estavam radiantes por participar nesta festa.

Todos estes ingredientes resultaram num grande espectáculo e numa chuva de golos. 6 a 0 para o 1.º Dezembro. Quando a árbitra Márcia Pejapes deu por terminado o encontro, a festa foi enorme. Houve de tudo: saltos, abraços, cambalhotas, papelinhos coloridos e champanhe a chover nas nossas cabeças…

Quando finalmente conseguimos acalmar um pouco e depois de assistirmos à entrega das medalhas correspondentes ao 2.º lugar, perfilámos a fim de receber as respectivas medalhas e, em seguida erguer a Taça de Portugal. A ansiedade era enorme e todas nos imaginámos a levantar a imponente Taça…

Pois… Imponente… Ou não.

A Taça que foi entregue à nossa capitã era, nada mais nada menos, que uma RÉPLICA da original. Não mediria mais que 10 cm! Não que o tamanho importe, mas não era bem aquilo de que estavamos à espera…

As jogadoras apontam para a Taça, brincando com o seu tamanho

A reacção foi imediata: risada geral seguida de um sentimento de indignação enorme. Se a satisfação pela conquista do troféu não fosse tão grande, seria, com certeza, mais difícil digerir a falta de respeito e descriminação de que nos sentimos alvo. 

Confesso que não sabemos muito bem como ou quem deu a ajuda necessária para que este episódio não se repetisse, mas a verdade é que na época seguinte tivemos direito à VERDADEIRA Taça. E assim era dado mais um passinho (de bebé) no caminho para a igualdade no seio do futebol português.

O upgrade do local da final da Taça para o Jamor é, claramente, outro “passinho” (bem grande).

Será que poderemos, ainda esta época, festejar outro passinho, correspondente à transmissão televisiva deste espectáculo?

Anúncios

About S.U. 1º Dezembro | Futebol Feminino

Campeãs Nacionais de Futebol Feminino | National Women's Football Champions Ver todos os artigos de S.U. 1º Dezembro | Futebol Feminino

Comments are disabled.

%d bloggers like this: