Crónica do jogo SU 1.º Dezembro – Birkirka FC, pelo Treinador Adjunto Simão Neto

Liga dos Campeões Feminina, Dinamarca 2009

Liga dos Campeões Feminina, Dinamarca 2009

O jogo relativo à 1.ª jornada da pré eliminatória da UEFA Women’s Champions League, desenrolou-se de forma atípica, tendo em conta o nível desta competição. O resultado de 10-0, apesar de reflectir a maior qualidade da equipa de Sintra, não demonstra as dificuldades iniciais por que passámos.

O 1.º de Dezembro entrou algo nervoso, pois sabia a importância do primeiro jogo, numa competição tão curta como esta, em que qualquer pequeno erro é muito difícil de recuperar.

A equipa adversária apresentou uma estratégia ultra-defensiva, num sistema de jogo com 5 defesas (uma delas libero e duas centrais de marcação), 4 médias e apenas uma avançada, pouco habitual neste tipo de competições e mesmo em Portugal. A equipa aglomerava muita gente no corredor central, embora de forma algo desorganizada, mas com as jogadoras a serem muito agressivas e lutadoras, conseguindo desta forma, na fase inicial do jogo, impedir que a nossa equipa criasse muitas situações de finalização.

A equipa do 1.º de Dezembro aos poucos foi ficando mais calma e confiante, e com isso, melhorou e aumentou a circulação de bola, com constantes mudanças de flanco de jogo, conseguindo desposicionar a equipa adversária e criar situações de superioridade numérica nos corredores laterais. No entanto, o mais importante foi termos conseguido gradualmente perder a ansiedade e ganhar confiança, possibilitando o aumento da mobilidade das nossas atletas e dar mais profundidade ao jogo através de laterais progressivamente mais ofensivas e confiantes e, assim, criar muitos desequilíbrios.

Com o primeiro golo, as coisas tornaram-se mais fáceis. A equipa adversária ressentiu-se, enquanto aumentámos a nossa confiança e começámos a utilizar os nossos pontos fortes: a excelente técnica individual das jogadoras, a rápida circulação de bola com constantes mudanças de flanco e de ângulo de ataque na exploração dos pontos fracos da equipa adversária (corredores laterais) realizando excelentes e variadas combinações em que o espaço em profundidade era ocupado ora pela lateral, ora pela médio centro, ora pela médio ala. Desta forma, conseguíamos realizar vários cruzamentos, quase sempre com muito perigo e com as nossas atletas a ocuparem bem as zonas de finalização.

Ainda na 1.ª parte, só faltou às nossas médio centro, médio ala e 2.ª ponta de lança aproveitar melhor o espaço deixado aberto no corredor central devido aos arrastamentos feitos pela nossa avançada.

Na  2.ª parte, a equipa continuou com o mesmo ritmo, cheia de confiança, com uma excelente circulação de bola e variando frequentemente os ângulos e combinações ofensivas, conseguindo assim realizar golos, alguns até, de belo efeito. No entanto, sensivelmente aos 65 minutos de jogo, a equipa começou a perder a clareza de jogo até então demonstrada, possivelmente devido ao deslumbre pela exibição que estava a realizar e pela facilidade com que estavam a criar situações de perigo e de finalização (34 remates, na sua maioria enquadrados com a baliza). Nesta altura, a equipa começou a descaracterizar-se e a deixar de dar largura ao jogo com as médio ala a virem muito para dentro (para estarem mais perto da zona de finalização) e começámos a querer entrar em combinações pelo corredor central, quando esta era uma zona sempre muito povoada. Começámos a denotar um desiquilíbrio ofensivo fruto da vontade de atacar (todas as jogadoras subiam) e de marcar golo.

Este desposicionamento táctico, quase originou que sofrêssemos um golo na parte final do jogo (o que era uma injustiça para a qualidade do futebol produzido pelas portuguesas). Neste lance a equipa estava completamente desequilibrada defensivamente devido à sobrepovoação do ataque e à perda de agressividade defensiva, juntamente com a sua desorganização.

Para finalizar, sentimos que temos uma equipa com muita qualidade e com condições para concretizar o sonho de todas estas jogadoras: passar à próxima fase da competição.

Sentimos também que, se o futebol feminino tivesse melhores infra-estruturas, mais apoios, mais divulgação e mais competitividade no nosso campeonato e as atletas não tivessem que fazer tantos sacrifícios para jogar a este nível, poderíamos ir longe em qualquer competição.

Crónica elaborada pelo Treinador Adjunto do SU 1.º Dezembro, Simão Neto

Simão Neto a orientar o aquecimento da partida em que o 1.º Dezembro venceu por 10-0 a equipa do Birkirkara FC (Malta)

Simão Neto a orientar o aquecimento da partida em que o 1.º Dezembro venceu por 10-0 a equipa do Birkirkara FC (Malta)

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