Entrevista de Carla Couto ao Mundo Português II

Carla, jogadora mais internacional e atleta do S.U. 1.º Dezembro

Carla, jogadora mais internacional e atleta do S.U. 1.º Dezembro

Estreou-se com a camisola da selecção portuguesa em Novembro de 1993, no Estádio São Luís em Faro, frente à selecção da Suécia. Desde então, Carla Couto viveu várias fases com a camisola da equipa de todos nós mas diz que o orgulho que sente hoje, continua a ser igual ao do primeiro dia.

O que é que sentiu quando vestiu pela primeira vez a camisola da selecção portuguesa?
Aquilo que eu senti no primeiro dia é o que ainda sinto em todos os jogos em que visto a camisola da selecção nacional: é um orgulho muito grande vestir a camisola do meu país. É e sempre será um orgulho representar a selecção nacional.

O que representa ser convocada para a selecção?
Acho que enquanto atleta o expoente máximo é representarmos o nosso país. Também é o reconhecer de uma dedicação à modalidade. Estarmos no lote das convocadas é sermos consideradas das melhores jogadoras portuguesas.

Já viveu várias fases na selecção nacional?

Já tivemos altos, já tivemos baixos. Já conseguimos evoluir mas já tivemos fases de retrocesso. Inclusivamente tive uma situação menos agradável quando fui afastada da selecção por opção do seleccionador José Augusto. Estive afastada um ano. Temos que respeitar as decisões mas eu sempre senti que tinha condições para estar a representar o país.

Como viu de fora essa fase da selecção? Foi uma fase má para a selecção…
Vê-se pelos resultados que nós tivemos. Estivemos 23 jogos sem ganhar portanto isso quer dizer que o trabalho que estava a ser desenvolvido na altura se calhar não era o trabalho que a selecção precisava.

Lembra-se do seu primeiro seleccionador?
O meu primeiro seleccionador, o Mister António Simões, é um homem que me vai marcar para sempre e tenho sempre uma visão dele de reconhecimento. Foi um grande jogador e para mim é um grande treinador.

Acha que hoje a Federação dá mais atenção à selecção feminina? Vocês jogadoras sentem isso?
Acho que há uma maior abertura no seio da Federação para a equipa feminina. Mas isso também advém dos bons resultados que vamos conseguindo. Não estamos a falar de um clube, estamos a falar de uma Federação que pretende estar ao mais alto nível nas suas selecções. É normal. Temos tido bons resultados e as pessoas começam a acreditar mais no nosso valor.

A entrada da seleccionadora Mónica Jorge também significou uma mudança de filosofia na selecção?
Os resultados falam por si. Penso que há uma maior dedicação por parte da Professora. E escolheu muito bem as pessoas que trabalham com ela. Estou a falar do Professor Carlos Sacadura que para mim é um excelente técnico e da Susana Cova que faz parte da selecção Sub-19.

O ambiente também melhorou. O vosso grupo é muito unido?

Quem vê nota que é uma selecção unida. Até pode haver divergências entre nós mas dentro do campo temos um só objectivo:  fazer o melhor possível e dignificar a camisola da selecção. É um grupo completamente coeso, muito bom. Para nós é sempre uma alegria quando nos juntamos porque queremos sempre mais.

Acha que falta um “grande momento”? Uma presença num Europeu ou num Mundial?
É outro dos meus sonhos: vestir a camisola da selecção numa fase final de um Europeu ou Mundial. É algo que faz falta mesmo para impulsionar o futebol feminino em Portugal.

Pensa que isso vai acontecer nos próximos tempos?
Quero acreditar que sim. Mas é muito complicado. Em qualquer pais nórdico o futebol é visto de uma outra forma.
Nós não ficamos a dever nada a nível de qualidade mas depois a nível físico cada vez mais ficamos aquém. E é cada vez mais importante essa faceta.

O grupo integra jogadoras luso-descendentes. Ficaram admiradas quando foram chamadas?
Já tinha acontecido com o Professor Nuno Cristóvão quando ele era o seleccionador mas sempre que há uma jogadora nova recebemos esse novo elemento com alegria.

Como é essa recepção?
Boa (risos). É logo presenteada com um praxe para ficar ambientada. Temos uma característica que é sabermos receber, estarmos disponíveis. Elas melhor que eu poderão dizer, mas penso que estão completamente integradas.

Ambientam-se bem? Falam em português com o grupo?
Elas falam um pouco. Tentam falar em inglês mas nós não deixamos. Queremos que falem portuguê. Dizemos que na selecção só se fala português (risos). É um processo tranquilo.

Quando jogam no estrangeiro têm o apoio dos emigrantes?
Por incrível que pareça, sim. Nem que sejam três ou quatro pessoas mas estão lá sempre com a bandeira portuguesa. Há sempre um português, o que nos enche de orgulho.
Os nossos emigrantes são adeptos muito especiais.

Como é que as jogadoras se sentem perante esse apoio?
É sempre bom. É um público especial. É nós vermos a nossa bandeira na bancada por mais longe que estejamos. Está sempre alguém a torcer. Apoiam-nos sempre, muitas vezes quando menos esperamos.

Ana Rita Almeida

In mundoportugues.org, via C.P. Martim

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