“Final à portuguesa”

O Prainsa tem feito uma época muito positiva, muito pelo excelente desempenho do quarteto luso (©FPF )

O Prainsa tem feito uma época muito positiva, muito pelo excelente desempenho do quarteto luso (©FPF )

«A final da Copa da Rainha do próximo domingo, em Saragoça, vai ter um sabor muito especial para o futebol… português. É que quando, pelas 12h00 locais (menos uma hora em Portugal Continental) Prainsa Zaragoza e Espanyol de Barcelona entrarem no relvado do imponente Estádio La Romareda, quatro internacionais lusas estarão a um passo de conquistar um título no futebol espanhol.

Naquela que é a mais portuguesa das finais do país vizinho, Ana Borges, Cláudia Neto, Edite Fernandes e Sónia Matias querem encerrar com chave-de-ouro uma época muito positiva, a nível pessoal e colectivo, durante a qual ajudaram o Prainsa a alcançar um tranquilo quinto lugar na Liga espanhola e a chegar a uma inédita final da Copa da Rainha, um feito assinalável num clube que deu os primeiros passos há apenas oito anos e que se vê, agora, sob os holofotes mediáticos.

“Desde que garantimos a presença na final da Taça, ao vencermos o Barcelona, por 3-1, o entusiasmo em redor da equipa e do próprio clube tem sido incrível, com constantes pedidos de entrevistas e participações em programas. A própria cidade tem vivido com muito interesse e orgulho a nossa campanha”, revela, em declarações ao fpf.pt, Edite Fernandes, a mais experiente das quatro jogadoras portuguesas que, no inicio da época, se mudaram de malas e bagagens para Saragoça. “Ainda ontem [segunda-feira] estivemos com o Victor Fernández [ex-treinador do FC Porto] e ele deu-nos os parabéns e disse que iria marcar presença, domingo, no La Romareda. Este reconhecimento e elogio ao nosso trabalho deixa-nos, obviamente, muito felizes”, confessa.

Recém-chegada ao clube, não deixa de ser notável que Edite (29 anos, 76 internacionalizações e 16 golos com a Camisola das Quinas) envergue já a braçadeira de capitã. A mesma que a permitirá – em caso de sucesso no domingo – ser a primeira a erguer o desejado troféu. “Chegamos a esta final muito motivadas. Cumprimos o nosso objectivo na Liga, que passava por ficar entre as oito primeiras classificadas, e atingimos a final da Copa da Rainha, durante a qual vencemos os quatro jogos que disputámos. Além disso, vimos de oito vitórias e apenas um empate nos últimos nove encontros, o que nos deixa muito animadas e confiantes para esta final”, explica.

Num conjunto a quem já chamaram “a equipa das portuguesas”, Sónia Matias (26 anos, 30 internacionalizações) tem sido um verdadeiro esteio. Na sua primeira experiência no estrangeiro, a “Maldini” da nossa Selecção – como é carinhosamente tratada pelas companheiras na Equipa das Quinas – é a jogadora mais utilizada e não poderia estar mais satisfeita, apesar das saudades de casa serem muitas. “Sinceramente, sinto que não poderia pedir mais neste meu ano de estreia em Saragoça. Tenho sido titular e apenas falhei um jogo. Ao longo desta época tenho crescido e aprendido muito como atleta, num campeonato tão competitivo a nível técnico e táctico como é o espanhol”, diz ao fpf.pt.

Em relação à final, Sónia Matias refere “estar a viver um sonho”. “Penso que só vou ter a real noção do feito que alcançámos quando, no domingo, subir ao relvado do La Romareda. E este sucesso é tanto maior quanto no início da temporada ninguém apostava em nós e diziam, mesmo, que o Prainsa tinha feito as piores contratações da Liga. Mostrámos que estavam enganados e que temos muita qualidade”, sublinha, orgulhosa.

Para Sónia Matias, menos fácil que a adaptação às especificidades do futebol espanhol tem sido, mesmo, estar fora do país. “Não tem sido fácil estar longe da família, até porque valorizo muito este aspecto da minha vida. As convocatórias para a Selecção têm amenizado um pouco esta situação, porque as idas a Portugal permitem matar saudades. Ainda assim, o facto de estar acompanhada pela Edite, a Ana e a Cláudia tem sido uma ajuda fundamental”, garante.

Unidas na estreia em campeonatos internacionais – apenas Edite Fernandes já tinha experiência na liga espanhola e no campeonato chinês (no qual chegou a disputar, em 2000/2001, o título) – estão, também, Cláudia Neto e Ana Borges.

Saída do Futsal com o objectivo de singrar no Futebol de Onze, Cláudia Neto (21 anos) já passou por todos os escalões da nossa Selecção (“A”, 16 jogos, Sub-19, 30, e Sub-18, dois) e declara-se “adaptada ao futebol espanhol”. E de que forma. Foram seus dois dos três golos com que o Prainsa derrotou o Barcelona nas meias-finais da Taça. “Tem sido uma experiência muito boa num campeonato super-competitivo, recheado de boas jogadoras e em que a incerteza impera em todos os jogos”, começa por dizer ao fpf.pt.

“No início da época foi complicada a adaptação a uma cidade e a uma realidade diferentes. Mas isso só me obrigou a trabalhar mais e o balanço que faço é extremamente positivo”, prosseguiu, para lançar, de seguida, um desejo sobre o jogo de domingo: “era fantástico que pudéssemos ganhar. Seria algo muito compensador pelo trabalho que temos realizado em Saragoça”. Quanto à titularidade? “Estou a contar com isso, mas não é o mais importante”, lembra.

Tal como Cláudia Neto, também Ana Borges (19 anos, quatro internacionalizações “A” e 28 Sub-19, com um total de sete golos marcados) tem mais dois anos de contrato com o Prainsa, que espera cumprir na totalidade. Depois de um arranque marcado por uma lesão que a afastou durante um mês dos relvados, a mais jovem das “emigrantes” lusas começou a demonstrar o seu valor, notabilizando-se pelas assistências para golo.

Apesar da formação de Saragoça disputar a primeira final do seu historial, diante do Espanyol que já conquistou o troféu por três ocasiões, a confiança de Ana Borges não esmorece. “Elas até poderão ser favoritas, porque têm mais experiência e jogam há mais tempo juntas, mas provámos ao longo da temporada que podemos ganhar a qualquer equipa”, argumenta.

Vencendo ou saindo derrotadas no próximo domingo, uma certeza une as quatro atletas: é que a sua presença na final da Copa da Rainha prova que em Portugal há jogadoras de qualidade, capazes de disputar as melhores ligas mundiais. “Que este seja, também, um ponto de partida para novos voos do futebol feminino português”, remata Edite Fernandes.»

In fpf.pt
 
Até a Federação Portuguesa de Futebol partilha do nosso entusiasmo pelo apaixonante percurso do Prainsa “português na época 2008/2009! 

 

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