Entrevista à Capitã Carla Cristina

Carla Cristina, a grande capitã, na fotografia com as cores nacionais

Carla Cristina, a grande Capitã, na fotografia com as cores nacionais

Sobre o S.U. 1.º Dezembro e o Campeonato Nacional Feminino

1. Fala-nos um pouco de ti como pessoa, como jogadora, como colega…

Sou uma pessoa simples e sincera; Enquanto jogadora tento sempre estar ao melhor nível, trabalhando para isso; Como colega tento sempre ter um bom relacionamento com as minhas companheiras e estar presente em todos os momentos, principalmente nos mais difíceis.

2.  O que representa para ti o 1.º Dezembro?

Para mim o 1º Dezembro representa uma vida desportiva de 13 anos, repleta de momentos inesquecíveis, que se podem traduzir por companheirismo, cumplicidade, amizade, vitórias, derrotas, orgulho.

3. Já conquistámos tudo o que havia para conquistar em termos nacionais. O que é que ainda te faz correr por esta camisola?

Aquilo que ainda me move é o gosto pela prática do futebol.

4. O que é que ainda te falta conquistar ou qual é a tua maior ambição?

A minha maior ambição é aquilo que ainda me falta conquistar, e que é atingir a  2ª fase da Liga dos Campeões Femininos.

5. Achas que a próxima época, com a alteração dos quadros competitivos, vai ser mais estimulante e competitiva?

Competitiva não sei, mas sinceramente espero que sim, já que dessa forma ganharemos todos, principalmente o futebol feminino em Portugal. Gostaria apenas de acrescentar, para não ser mal interpretada, que esta minha dúvida está relacionada com o facto de não ter conhecimento da qualidade das equipas que  militavam na 2ª Divisão e que subiram à 1ª esta época.

Mais estimulante será, com certeza, já que a 1ª Divisão deixará de se jogar em 4 mãos disputadas por apenas 6 equipas e haverá mais campos sintéticos/relvados para jogar os jogos do Campeonato Nacional.

6. Por onde passam os teus objectivos individuais para a época 2009/2010?

Em primeiro lugar, passam por ganhar a titularidade. Só depois de atingir esse  objectivo e em função dos objectivos colectivos, poderei traçar os meus  objectivos pessoais.

7. E os colectivos, como os traças?

Ganhar todas as provas nas competições nacionais! Tentar chegar mais longe do que alguma vez chegámos na Liga dos Campeões.

8. O que achas que precisamos, como equipa, para os alcançar?

Precisamos de continuar a trabalhar com seriedade e, porque esta equipa continua numa fase de renovação, é imperativo que recebamos bem quem vem de novo, orientando-as no sentido de rapidamente adquirirem os conhecimentos e a mística necessários para dar continuidade ao trabalho que tem vindo a ser    feito.

9. O que pensas do regresso do Professor Nuno Cristóvão ao Futebol Feminino?

Fico muito feliz pelo facto do Prof. voltar ao futebol feminino e por esse regresso estar ligado ao 1º Dezembro. Foi sempre um elemento extremamente activo e empreendedor, enquanto seleccionador nacional, e acredito que o  continuará a ser enquanto treinador desta equipa. É óptimo para o 1º Dezembro      que vinha entrando numa apatia comprometedora em relação ao seu futuro.

10. A Liga dos Campeões Feminina este ano também tem um formato diferente. Para além do nome, na pré-eliminatória só jogam os clubes das federações menos cotadas. Achas que temos mais hipóteses?

A partir deste ano (inclusive), vão fazer parte da pré-eliminatória da Liga dos  Campeões os 8 clubes vice-campeões das 8 primeiras classificadas no ranking   da UEFA. Ou seja, os países que só entravam na 2ª ronda, entram agora nas pré-eliminatórias com as suas equipas vice-campeãs. Respondendo à questão, acho que continuamos a ter as mesmas hipóteses, desde que continuemos a encarar   este desafio com seriedade e trabalho.

Sobre a Selecção Nacional e as experiências internacionais

1. Com que idade representaste, pela primeira vez, as cores nacionais?

Foi no dia 16 de Março de 1993 (epá, isso foi no século passado), frente aos   Estados Unidos. Eu tinha 19 anos.

2. O que representa para ti a Selecção Nacional?

É o expoente máximo de uma carreira. A minha, quando terminar, estará recheada de títulos, mas nenhum deles me fará sentir tanto orgulho como o que  sinto por ter representado a nossa Selecção.

3. Quantas internacionalizações possuis?

82 internacionalizações.

4. Para além de seres a grande Capitã da S.U. 1º Dezembro, foste durante muitos anos (até 2007) Capitã da Selecção Nacional. O que recordas desses anos?

Recordo tanta coisa, porque fui muito feliz lá. Desde a união, à cumplicidade, aos momentos difíceis (é impossível esquecer os 13×0 perante a Alemanha, no seu campo com 12.000 pessoas a assistir), às conquistas, ao orgulho de vestir a camisola, ouvir A Portuguesa… Tempos e pessoas maravilhosas,    que guardo no meu coração.

5. Sabemos que a tua decisão de colocar um fim à presença na Selecção foi algo sofrido. Gostarias de partilhar connosco os motivos e o que sentiste?

Foi sem dúvida sofrido, já que, como referi anteriormente, eu era muito feliz     naquela “casa”. O factor que me levou a colocar um ponto final na minha carreira na Selecção Nacional está relacionado com a minha vida profissional, que me obrigou a retomar os estudos. Se até então eu sempre me havia conseguido “esquivar” a essa exigência, na altura já não me era possível. Aliado a esse facto vinha a impossibilidade de treinar a tempo inteiro no Clube, o que iria baixar significativamente o meu rendimento. Como tal, e porque sabia que, a nível internacional, não poderia corresponder no campo da maneira que queria e que sempre havia respondido, decidi colocar um ponto final a 14 anos de  experiência internacional ao mais alto nível.

6. Continuas a ser, aos 35 anos, a melhor guarda-redes nacional. Não pensas voltar a representar a Selecção?

Obrigada Inês pela tua opinião. Não, não penso. A minha carreira na Selecção terminou em Outubro de 2007.

7. Nunca chegámos a uma fase final de um campeonato oficial. Achas que estão reunidas as condições para, no futuro, esse objectivo ser alcançado?

A médio/longo prazo, sim. Julgo que se começa a notar o trabalho sério que está a ser realizado na Selecção Nacional. Os resultados começam a aparecer e não de uma forma esporádica, o que leva a crer que essa consistência advém de um   trabalho com bases. Essas mesmas bases, depois de estarem bem alicerçadas, permitirão que se possa aspirar a uma fase final de qualquer campeonato. Mas isto, a médio/longo prazo…

8. Sabemos que foste por diversas vezes convidada a sair do país para jogar numa liga profissional. O que te fez recusar?

Fui convidada para jogar nos Estados Unidos e em Espanha. O que me fez       recusar foram… os mimos da mamã (he he he). Para além disso, o 1º convite     não me inspirou muita confiança, ou seja, era um acordo que não estava escrito e por isso eu recuei. Já o segundo, para Espanha, quando tinha 29/30 anos, achei que não compensava, por 2 ou 3 anos, largar o emprego e a estabilidade que já havia adquirido.

9. Tens acompanhado a Women’s Professional Soccer? O que pensas da liga profissional norte-americana?

Não, infelizmente não tenho tempo para acompanhar a Liga Norte-Americana. Mas julgo não ser necessário acompanhar essa Liga para perceber a qualidade do trabalho aí realizado. Basta olhar para a Selecção Americana de Futebol Feminino. A implementação desta modalidade nas escolas e universidades fez   com que um País, sem qualquer tradição no futebol, seja hoje uma das maiores   potências no futebol feminino a nível mundial. Seria, aliás, um bom exemplo a     seguir por Portugal.

10. Achas que algum dia veremos uma portuguesa a disputar esse campeonato?

Não tenho dúvidas que sim. Pela qualidade da mulher Portuguesa a jogar futebol, não duvido. Por exemplo, atrevo-me a dizer que as “nossas” Edite Cristiana e Sónia Matias, que jogam actualmente em Espanha, pela qualidade indiscutível que demonstram, podem jogar em qualquer Liga do mundo. E como elas, há outras… Por isso, para aliar a qualidade à quantidade, não duvido que, mais tarde ou mais cedo, uma Portuguesa vá disputar esse campeonato.

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