Crónica de Maria João Xavier sobre a Taça de Portugal feminina

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Maria João Xavier, ex-internacional portuguesa e ex-atleta sintrense

Final da Taça de Portugal de Futebol Feminino, porque não no Estádio Nacional?

Tem surgido alguma discussão relativamente à não realização da final da Taça de Portugal na vertente feminina, no Estádio Nacional. Nomeadamente nas situações em que se observa que este estádio é palco de vários acontecimentos desportivos (e ainda bem), mas continua a não “receber” a final da Taça de Portugal feminina.

Inicialmente, a opção de “levar” a final da segunda competição mais importante do futebol feminino para locais com menor expressão a nível, quer de clubes quer de número de praticantes, centrava-se na necessidade de imprimir novo dinamismo à causa. Era urgente promover o aumento do número de praticantes e de clubes inscritos. Adicionalmente, a este motivo junta-se um outro (que terá alguma lógica), a distância que os clubes finalistas teriam que percorrer. A opção passa, então, por encontrar um ponto médio dessa distância e esse será o local da final, mais quilómetro menos quilómetro. Pelo menos até informação contrária, este é o formato em vigor.

Com o passar dos anos, a disputa da final da Taça permaneceu longe do seu habitat natural e as vozes discordantes mantiveram-se inalteráveis. Infelizmente, esta opção de divulgar o futebol feminino não colheu grandes resultados práticos. O número de praticantes não sofreu um aumento significativo que legitime manter este formato. Equipas desistem (ainda que em contrapartida outras surjam), as atletas abdicam da prática devido a uma série de constrangimentos que não adianta, neste momento, dissecar, e o futebol feminino não desenvolveu estratégias que tenham como meta a melhoria contínua, como é comum falar-se na implementação de sistemas de gestão da qualidade.

A esperança é a última a morrer e deseja-se vivamente que o novo quadro competitivo permita vivenciar e cimentar novas experiências (aliás, como já o referi anteriormente). Ora, se estes factos são observáveis, podemos concluir que esta opção revelou ser pouco atractiva, especialmente para as atletas. Afinal, o sonho é disputar a final no palco tradicionalmente destinado a esse efeito. Esse sonho tem sido adiado ano após ano. Não obstante, acreditando no que diz António Gedeão, no poema Pedra Filosofal “o sonho comanda a vida”.

A pergunta é simples. Será que após estes anos de experiência, não é possível ponderar a realização da final da Taça de Portugal feminina, no Estádio Nacional e, deste modo, proporcionar um momento ímpar aos clubes, atletas, treinadores, dirigentes e adeptos? Alguém tem dúvidas que as equipas mobilizariam os seus adeptos até ao Vale do Jamor? Eu, pessoalmente, não tenho. Pode pensar-se que o estádio estaria “às moscas” dada a sua capacidade. Mas será que isso é o mais importante para quem tenha a fantástica oportunidade de jogar uma final no Estádio Nacional? Não será importante dar a essa oportunidade às atletas? Haverá impedimentos de ordem logística assim tão inultrapassáveis? Não sei, mas creio que quem organiza o jogo da final para um determinado local, organiza para o Estádio Nacional.

Vamos esperar para ver o que ocorre na próxima época relativamente à final da Taça. Provavelmente, nada, mas era uma excelente oportunidade para promover mais uma mudança e motivação adicional a todos os actores intervenientes nesta causa, juntamente com a reformulação dos quadros competitivos. Fica a sugestão a quem possa tornar este sonho realidade!

Maria João Xavier

In odivelas.wordpress.com

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