Entrevista a Sílvia Brunheira

Sílvia Brunheira, a força em pessoa

Sílvia Brunheira, a força em pessoa

As férias desportivas continuam mas, no nosso pensamento, paira a pré-época. E assim, para a sentirmos mais perto, contactámos a n.º 16  sintrense, Sílvia Brunheira, e colocámos-lhe algumas questões. Obrigada Sílvia!

Sobre o S.U. 1.º Dezembro e o Campeonato Nacional Feminino

1. Fala-nos um pouco de ti como pessoa, como jogadora, com colega…

Como pessoa, simples, não gosto nada de me assumir como protagonista nem de “dar nas vistas”, gosto das coisas simples da vida (costumo encontrar algo de especial nas mais (aparentemente) banais).

Como jogadora, agressiva. Assumo sempre uma postura de querer ganhar a bola ao adversário a qualquer custo. Por vezes, essa agressividade é demasiado excessiva e como também sou exigente, se sinto que em determinada jogada as minhas colegas não deram o máximo, transmito-o de uma forma algo… efusiva.

Como colega, bem disposta, gosto de atirar algumas piadas para o ar (e agora já devem estar a dizer:”Ah e tal, mas não teve piada”, só que na maioria as piadas são P.J.’s que nem toda a gente consegue alcançar, ok? Bom!). E o resto é surpresa.

2. O que representa para ti o 1.º Dezembro?

Vitória. Alegrias (vai ter que ser mesmo no plural). História. Força. Orgulho.

3. Já conquistámos tudo o que havia para conquistar em termos nacionais.    O   que é que ainda te faz correr por esta camisola?

Para mim todos os anos temos algo mais para conquistar. O que me faz correr por esta camisola é uma inesgotável vontade de jogar futebol, de continuar a ganhar o Campeonato, a Taça de Portugal e, consequentemente passar a pré-eliminatória da Liga dos Campeões.

4. O que é que ainda te falta conquistar ou qual é a tua maior ambição?

Uma já referi: passar a pré-eliminatória da Liga dos Campeões. As outras estão relacionadas com a Selecção Nacional: passar a fase pré-eliminatória do Campeonato da Europa ou do Mundo e participar nos Jogos Olímpicos (ainda nunca alcançados). E marcar mais golos, esta época foi uma miséria!

5. Achas que a próxima época, com a alteração dos quadros competitivos, vai ser mais estimulante e competitiva?

Estimulante, sem dúvida, com a entrada de mais equipas, não será tão monótono, uma vez que estamos em confronto com equipas diferentes. Competitiva também, especialmente com uma fase final inédita de disputa entre as 4 equipas melhor classificadas que poderá aumentar a qualidade dos jogos, uma vez que serão as 4 equipas mais fortes a discutir a vitória do Campeonato. 

6. Por onde passam os teus objectivos individuais para a época 2009/2010?

Marcar golos, melhorar a qualidade de passe e “roubar” muitas bolas aos adversários. Adoro! Continuar a merecer um lugar na Selecção Nacional.

7. E os colectivos, como os traças?

Inevitavelmente, um dos objectivos colectivos para esta época será a reconstrução da equipa. Penso que as últimas 2 épocas têm sido muito complicadas e difíceis de gerir. A saída de algumas jogadoras e as mudanças de treinador provocaram alguma instabilidade e dispersão do grupo.

8. O que achas que precisamos, como equipa, para os alcançar?

Essencialmente, de um Treinador-Líder que consiga recuperar e eliminar as lacunas que foram mais evidentes esta época – falta de motivação, quebra de qualidade de jogo e ausência de filosofias técnico-tácticas e também muita indisciplina. Não é só o Treinador que poderá alcançar este objectivo. As jogadoras terão que adoptar uma atitude empenhada e que seja regular até ao final da época.

9. O que pensas do regresso do Professor Nuno Cristóvão ao Futebol Feminino?

Penso que será um regresso extremamente positivo, não só para a equipa do 1.º Dezembro, como também para o Futebol Feminino em geral. Acredito que, tanto a equipa, como o público e as equipas adversárias, terão a oportunidade de conhecer um grande defensor e impulsionador do futebol feminino.

Vejo-o como um treinador bastante organizado e com objectivos bem definidos que, para as necessidades do 1.º Dezembro, é a pessoa ideal.

10. A Liga dos Campeões Feminina este ano também tem um formato diferente. Para além do nome, na pré-eliminatória só jogam os clubes das federações menos cotadas. Achas que temos mais hipóteses? 

Tanto quanto sei, os 10 países de topo vão ter 2 equipas representantes na Liga dos Campeões, em que a que ficou em 1.º lugar passa automaticamente à fase seguinte e a que ficou em 2.º lugar disputa a pré-eliminatória. O que vai acontecer, ao contrário do que se pensa, é que as equipas de países mais cotados vão participar na pré-eliminatória com as menos cotadas. Por ex.: Imaginem no grupo do 1.º Dezembro calhar uma equipa da Itália, Inglaterra ou Alemanha!

De qualquer maneira, para mim, esta situação, a confirmar-se será apenas um acréscimo de motivação e acredito que neste tipo de competições tudo é possível e temos sempre hipótese.

Sobre a Selecção Nacional e as experiências internacionais

1. Com que idade representaste, pela primeira vez, as cores nacionais?

 Tinha 25 anos, em 2000.

2. O que representa para ti a Selecção Nacional?

Pode parecer um cliché, mas é um orgulho representar o nosso país e ficar na história de uma nação, ter lá o nosso registo, é uma passagem que ninguém pode apagar. Actualmente, acho que o orgulho que as jogadoras incluídas na Selecção Nacional transmite-se para fora e contagia o público.

 3.Quantas internacionalizações possuis?

 56.

 4. Que balanço fazes do Mundialito 2009?

Muito positivo. Tendo em conta que no Mundialito de 2008 os resultados e a prestação competitiva superaram as expectativas, a pressão e responsabilidades eram maiores. Além de sentirmos que era importante manter os bons resultados e a qualidade anteriores, sabíamos que o que esperavam de nós era uma melhoria a todos os níveis, o que era difícil.

Mas conseguimos não só manter a qualidade de jogo e marcar golos, como ganhar o grupo e disputar o 7º e 8º lugar com uma Finlândia fortíssima e alcançando um surpreendente empate, apenas derrotadas através de pénaltis.

Estes resultados só foram possíveis porque desde o Mundialito de 2008 o grupo está muito forte e este ano, não foi excepção.

5. Embora nunca tenhamos chegado a uma fase final de um campeonato oficial e tal tarefa se avizinhe quase inatingível, em termos pessoais o que ambicionas conquistar na Selecção?

Já respondi anteriormente. Passar a fase pré-eliminatória do Campeonato da Europa ou do Mundo e participar nos Jogos Olímpicos. Gostava de marcar o 1.º golo pela Selecção Nacional (tenho desculpa e vocês sabem…daquela deficiência que eu tenho nos ossos dos pés) e chegar às…100 internacionalizações (quando tiver p’raí uns 45 anos).

6. Já foste profissional de Futebol. Onde jogaste?

Em Huelva, Espanha na equipa L’ Estudiantes.

 7. Tens saudades desses tempos?

 Saudades, não propriamente, mas admito que viver só do futebol é uma experiência única, muito embora eu não me tenha satisfeito só em ser “profissional do futebol” e não fazer mais nada. Estive também a treinar uma equipa de rapazes (+/- 10 anos), numa equipa dos arredores, pouco antes de regressar a Portugal (durante cerca de 2 meses).

8. O que te fez regressar?

Ao fim de cerca de 6 meses em Espanha, a nossa equipa estava numa posição difícil que não nos permitia ascender à fase final – Copa – com as 8 equipas melhor classificadas.

A nossa guarda-redes era um bocado fraca e andávamos a perder jogos e a sofrer golos decisivos e os dirigentes acabaram por contratar uma guarda-redes (curiosamente a Andreia, Guarda-Redes da Selecção Brasileira) e uma ponta-de-lança (também brasileira). Como na altura não era possível ter mais do que 2 estrangeiras, eu e a Edite fomos abordadas pelos dirigentes para ser substituídas pelas 2 brasileiras com o intuito de melhorar e recuperar pontos.

9. Tens acompanhado a Women’s Professional Soccer? O que pensas da liga profissional norte-americana?

Não tenho acompanhado, mas penso que é uma Liga extraordinariamente suportada pelo trabalho e dinâmica do futebol de formação. Quando os dirigentes federativos se mentalizarem que é com esta filosofia que se desenvolve o Futebol Feminino, quem sabe o que pode acontecer..?!

10. Achas que algum dia veremos uma portuguesa a disputar esse campeonato?

Porque não? Há uns anos atrás seria impensável ter tantas jogadoras portuguesas a jogar no estrangeiro e desde alguns anos: 3 jogadoras na China, mais 4 ou 5 na Islândia, cerca de 9/10 jogadoras que experimentaram o campeonato espanhol, 1 na Dinamarca…

Queres acrescentar alguma coisa que não tenha sido abordado nesta entrevista e que aches importante partilhar?

Não me façam mais perguntas!

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