Marítimo é o campeão de Futebol Feminino da Madeira

«“Craques” femininas do Marítimo conquistaram título sénior e explicam o sucesso de uma equipa onde a juventude e as mais experientes ditam leis; o futuro é promissor e as selecções nacionais que se preparem…

Campeãs de verde e vermelho

A equipa de 2008/2009 do Marítimo (Madeira)

A equipa de 2008/2009 do Marítimo (Madeira)

Treinam com vontade, dão tudo em campo, faça chuva ou faça sol. Muitas jogadoras até vêm, três vezes por semana, da Ponta do Sol, Calheta, Ribeira Brava, Madalena do Mar para treinarem das 20h00 às 21h30, no sintético do Complexo do Marítimo, e, claro, chegam a casa bem tarde para no outro dia acordarem cedo e estarem prontas para o “desafio” escolar.

É assim o futebol feminino na “casa” do actual campeão de seniores: o Marítimo, que tem internacionais, juventude e experiência e gente que, a avaliar pelo que vimos, joga e muito…

Fazem-no com prazer, juntam amor à camisola na devoção pela causa e exprimem quem, com trabalho, conseguiu juntar forças para conquistar o ceptro de campeãs regionais de seniores na presente temporada. Falamos do Marítimo e das suas “meninas”…

O JORNAL acompanhou uma sessão de trabalho das meninas orientadas por Carlos Fernandes, que não compareceu a este treino devido a afazeres pessoais. Um treino liderado pelo máximo responsável das atletas juniores: Rui Fernandes.

São futebolistas de várias idades, a mais nova tem 11 anos, a Sara, a mais velha tem 35. Teresa Vieira, de seu nome, mas partilham, em comum, algumas ideias. O sonho, esse, é praticamente consensual, o de um dia “enfileirarem” nas selecções nacionais de uma forma regular.

São todas arquitectas de um título, o de campeãs regionais de seniores, dizem-no com orgulho e satisfação e reclamam apoio, mais empreendedorismo de quem tem a missão de dirigir o futebol. Há até quem recorde, como fez questão de frisar o coordenador João Sousa, que a AFM tem um patrocinador (Coral) para apoiar o futebol sénior masculino e que o feminino também deveria ser contemplado. Ou Mary que diz que o futebol feminino na Associação “é só para dizer que elas estão ali”, qualquer coisa de numérico…

Críticas à parte, o Marítimo, apregoam, é campeão. Um título selado em casa (Choupana) do velho rival, o Nacional. As verde-rubras venceram (2-1), dispuseram de dois golos de vantagem em dois lances concluídos por Célia (um de cabeça). No final, as contas eram claras: em 6 jogos o Marítimo havia concedido um empate, a zero bolas, em casa, com a Apel.

Em suma, são cerca de 50 futebolistas com um sorriso de “ponta a ponta” numa altura em a equipa apresta-se para “atacar” a Taça dos Campeões, que tem início no próximo fim-de-semana. (…)

Coordenador João Sousa abriu a secção e fala orgulhosamente
Títulos não são “obra do acaso”…

O coordenador do futebol feminino do Marítimo foi um antigo “juiz de linha” do árbitro Emanuel Câmara e que hoje em dia é comentador-residente do programa desportivo “Prolongamento” da RTP-Madeira. (…)

Foi ele quem introduziu a variante no clube há três anos, quando já desenvolvia este tipo de trabalho na AD Pontassolense. O final de uma secção coincidiria com um outro. Bastou uma conversa com o presidente Carlos Pereira para que a abertura fosse total à introdução de mais este passo para um maior ecletismo verde-rubro. E já lá vão 5 temporadas de futebol feminino para João Sousa e três no clube que faz casa em Santo António. (…)

As seniores levantaram o “caneco” este ano mas já o haviam erguido na temporada de 2005/06, num ano em que também venceram a Taça da Madeira e o Torneio Internacional da Madeira.

As juniores não fogem ao gosto de conquistar troféus e têm mesmo açambarcado os títulos, à excepção deste ano com o campeonato a “cair” na montra da APEL.

João Sousa fala orgulhosamente das atletas internacionais do clube, das actuais Laura Luís e de Rute Fernandes (ver peça à parte) e das várias que hão-de seguir as pisadas. “Potencial não lhes falta, têm é de trabalhar para isso”. (…)

O título arrecadado pelas seniores, este ano, não caiu do céu. “Não foi por acaso, é reflexo do trabalho que tem sido feito”, atira. Falta, agora, atira, “divulgar mais o futebol feminino”, considerando que a AFM, nesse particular, até tem uma importante palavra a dizer.

Laura Luís é a jogadora mais qualificada mas…
Rute Fernandes, uma senhora internacional

Tem 17 anos, é guarda-redes, chama-se Rute Fernandes e é uma das futebolistas internacionais do plantel do Marítimo, a par da colega Lara Luís. A seleccionadora nacional Mónica Jorge não abdica dos seus préstimos e Rute quer mostrar que essa confiança tem toda a razão de ser. “Sempre acreditei e não vou desistir, tenho tempo para ir lá mais vezes. A seleccionadora é uma boa treinadora e uma boa pessoa, muito amiga”. E não esconde mesmo uma das (boas) razões porque luta no dia a dia no futebol. “Quero chegar o mais longe possível, sei lá, ir a um Campeonato da Europa”. O resto, assegura, viria por acréscimo.

Sobre o título obtido não tem dúvidas. “Foi um prémio merecido, muito complicado mas conseguimos. Todas as equipas que jogámos criaram-nos muitas dificuldades, o que só o valoriza ainda mais”, disse. Rute irradiou simpatia, a tudo respondeu menos aos que considera serem os seus pontos mais fortes e fracos. Não explicou o porquê mas não será difícil perceber que terá a ver com uma estratégia de “controlo” adversário! Rute foi seca mas natural na resposta: “Não posso revelar”. Muitos risos que no entanto não serviram para uma eventual alteração de discurso. A abertura ao diálogo mantinha-se mas sob a forma de abordagem a outros temas… Como por exemplo o estado do futebol feminino na Madeira, uma opinião semelhante à da maioria das suas colegas. Concorda reunir condições para melhorar no dia a dia, lamentando os poucos clubes que o praticam.

“Devia ter mais equipas”, denuncia. Um número que não agrada à guarda-redes do título regional, nem mesmo após a entrada em cena dos “Xavelhas” na presente temporada. “Continua a ser pouco. Há que apostar mais”, consubstanciando a ideia de que o recrutamento nas escolas é uma boa solução. A outro nível, Rute, que tenciona um dia ser engenheira civil, enaltece o esforço de “todas as pessoas que nos apoiam”, dizendo que o grupo de trabalho do Marítimo é “bom”. O depoimento aqui fica, de uma guarda-redes que joga futebol desde os 10 anos e há 3 no Marítimo… E que, frise-se, tem cá um estilo debaixo da baliza e uma segurança… As luvas são mesmo de “ferro”…!

“Defesa-direito ou… ponta-de-lança”
Oprimeiro treino de Fabiana Faria

Há sempre um primeiro dia… caso para dizer. Que o diga a “caçula” Fabiana Faria, uma jovem pontassolense de 15 anos que no dia da reportagem que o JORNAL hoje publica, concedeu uns “minutinhos” para conversar, mesmo que isso acontecesse no seu primeiro dia de treino no Marítimo.

Alegre, bem disposta, Fabiana Faria lá foi explanando os seus pontos de vista, apontando baterias para um futuro auspicioso. Sempre deu uns pontapés na bola na escola, lembra, fez jogos entre turmas e diz que tem de trabalhar mais “a finta”. Do que não necessita muito é de apurar o “forte remate” que considera ter. Bem como “a força” que reúne para “dar e vender”… As preferências posicionais no relvado e ou sintético vão para a lateral-direita ou ocupando o espaço de uma ponta-de-lança. E justifica pelo gosto de “cruzar, de defender e atacar”, bem como concluir as jogadas de ataque. Fabiana é de opinião também que o “preconceito” de ver a mulher jogar futebol feminino está quase posto de lado, mesmo nas zonas rurais. “Antes era um crime”… Os próprios pais, assevera, dão-lhe força para treinar e jogar e não esconde o sonho de um dia atingir a selecção nacional. “Sei que vou ter de trabalhar”, afirma. O primeiro treino, que decorreu no sintético do Complexo verde-rubro foi visto como “ um dia especial”, convidando o Pontassolense e outros clubes a apostarem no futebol feminino.»

Grupo de trabalho
Marisol Tomaselli, Sílvia Sousa, Adelina Cabral, Marisela Freitas, Teresa Vieira, Célia Leça, Filipa Abreu, Maria José, Sílvia Jardim, Mónica Camacho, Inocência Andrade, Nádia Freitas, Lucélia Silva, Fabiana Freitas, Rubina Figueira, Rute Fernandes, Luciana Brito e Delta Figueira.
Técnico: Carlos Fernandes.
Coordenador: João Sousa

Por João Paulo Faria para o Jornal da Madeira, via http://www.odivelas.wordpress.com

Anúncios

About S.U. 1º Dezembro | Futebol Feminino

Campeãs Nacionais de Futebol Feminino | National Women's Football Champions Ver todos os artigos de S.U. 1º Dezembro | Futebol Feminino

Comments are disabled.

%d bloggers like this: