“Em Linha com Cátia Relíquias”, 11 anos de casa

Cátia Relíquias, Professor de educação Física e jogadora de Futebol

Cátia Relíquias, Professora de Educação Física e jogadora de futebol

A coluna “Em linha com” é um espaço de partilha de experiências de pessoas que, por algum motivo, estão ou estiveram ligadas ao futebol feminino.

Com o início dos treinos e a pré-eliminatória da Champion’s League aí à porta, faz sentido fazer um balanço não só da época que ainda agora terminou, mas do percurso de uma das jogadoras com mais “anos de casa”.

Cátia Relíquias, de 25 anos, faz parte do plantel do S.U. 1.º Dezembro há já largos anos, não tendo conhecido outro clube enquanto atleta federada.

Eis o seu testemunho: 

“11 anos no mesmo clube. Porque será?”

«Desde pequena que, tal como a maioria das praticantes de futebol feminino, jogava à bola com os rapazes da minha aldeia. Apesar de ter imensas coisas para fazer, fruto da variedade de desafios propostos pela natureza que caracteriza a zona Sintra/Ericeira, o futebol sempre foi prioridade. Assim, é sem surpresa que esta modalidade se transforma numa parte integrante da minha pessoa e da minha vida.

Quando tento analisar o meu percurso futebolístico, apercebo-me de que, apesar de me considerar uma pessoa determinada e lutadora, nada teria conseguido, não fosse um factor muito importante: a sorte.

Sorte, por ter tido um primeiro treinador que, contra tudo e todos, percorria todos os torneios de Verão da zona de Sintra e Ericeira, com a única equipa com um elemento feminino. Que insistia em mostrar que a qualidade (e não o género) era a única característica que deveria influenciar os comentários alheios.

Sorte, por ter ouvido falar de um tal de “1.º Dezembro” que “parece que tem futebol para miúdas”.

Sorte, por este clube localizar-se suficientemente perto para que os meus pais não tivessem que se preocupar com o transporte e não tivessem, por isso, um motivo para justificar a minha desistência.

Sorte por, no ano seguinte a fazer um treino (à experiência e, confesso, quase por favor) com a equipa sénior, ter deixado o contacto e ser chamada assim que, no ano seguinte, iniciaram uma equipa de formação.

Sorte, por ter tido uma treinadora fantástica, preocupada e competente, que me ensinou as bases das quais ainda hoje me socorro no futebol.

Sorte por, ainda antes da época acabar, com 14 anos, ter começado a ser chamada à equipa principal do clube, para me “ambientar”.

Sorte por, a treinadora sénior ter apostado “na miúda” nalguns jogos importantes e eu ter conseguido corresponder.

Sorte, por ter conhecido grupos fantásticos que, consoante o ano em que com eles convivi, me ajudaram a integrar, ganhar confiança, lidar com as diversas situações do futebol e fundamentalmente, a crescer.

Sorte, por ter conseguido conciliar estudos, vida pessoal e futebol de forma a ter a estabilidade necessária para ter sucesso.

Sorte por, os treinadores que passaram por este clube terem acreditado que tenho valor para envergar aquela camisola.

Sorte, por ter-me sido dada a oportunidade de representar Portugal e, durante alguns dias, respirar futebol e sonhar com uma vida sempre assim.

Sorte, por ter tido toda esta sorte!

Começar na formação, chegar a sénior, ter um papel na formação como treinadora e ter o privilégio de partilhar com todos aquilo que sinto por este clube, dia a dia, através do nosso blogue, são coisas de que me orgulho muito.

Sem ser uma ”fora de série” (longe disso), aproveitei a sorte juntando-lhe determinação, solidariedade, espírito de equipa, sacrifício e vontade de vencer.

Venham mais 11!!!!»

Cátia Relíquias, jogadora do S.U. 1ºDezembro há 11 anos

Cátia Relíquias, jogadora do S.U. 1.º Dezembro há 11 anos

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