Entrevista a Sónia Matias, Profissional de Futebol e Internacional AA

 

Sónia Matias, defesa esquerdo do Prainsa Zaragoza (Espanha) e da Selecção Nacional de Futebol Feminino

Sónia Matias, defesa esquerdo do Prainsa Zaragoza (Espanha) e da Selecção Nacional de Futebol Feminino

Sobre a aventura em Espanha

1. Como surgiu o convite para jogares pelo Prainsa Saragoza, da primeira divisão da Superliga de Futbol Femenino (Espanha)?

Antes de saber do interesse do Prainsa, surgiram convites. Mas depois fui mantendo contactos com pessoas da minha actual equipa, acabando por optar pelo Prainsa.

2. Como é ser profissional de Futebol Feminino e como foi a adaptação à Superliga espanhola? Tiveste de aumentar os níveis físicos e técnicos para te colocares ao nível das outras jogadoras?

É a minha primeira experiência como profissional e até agora tem sido muito positiva. É completamente diferente daquilo a que estava habituada em Portugal. É viver apenas do Futebol.

Quanto à adaptação, de início foi complicado, mas com o decorrer do tempo fui atingindo os níveis físicos e técnicos que desejava. Hoje posso dizer que estou completamente adaptada e as coisas não podiam estar a correr melhor.

3. Por que objectivos luta o Prainsa Saragoza?

Os objectivos passam por ficarmos nos oito primeiros para podermos disputar a Copa.

Este ano é ter um bom desempenho. Se mantivermos o 5.º faremos um brilharete. Corresponde, mais ou menos, àquilo a que se pode chamar: equipa sensação da Superliga. (risos)

4. O que achas que as atletas portuguesas acrescentaram à equipa?

Viemos reforçar posições em que a equipa se encontrava bastante desfalcada. Na verdade saíram jogadoras muito importantes na manobra da equipa. O início da época não foi nada fácil, não nos conhecíamos, houve muitas mexidas. Mas com o decorrer do tempo, posso assegurar que viemos acrescentar e muito à equipa, tanto através da experiência a nível internacional, como pelos anos que já levamos de futebol.

5. Como é o ambiente, a interacção com as colegas espanholas?

O ambiente na equipa é saudável, todas nos respeitamos e em nada pesa o facto de sermos estrangeiras. Para uma boa integração tem ajudado o facto de a Edite ser a nossa capitã de equipa. Pessoalmente, a minha ligação com as minhas colegas baseia-se no profissionalismo, no futebol dentro de campo, já que é com as portuguesas que eu me identifico.

6. Dada a boa prestação das atletas portuguesas têm surgido convites de maior dimensão?

Têm surgido convites na verdade, mas de momento nada posso acrescentar…Na devida altura prometo que darei novidades. (Risos)

7. Sabemos que foram convidadas para a Women’s Professional Soccer League (EUA, cujo campeonato começou há um mês). Não quiseram ir?

Houve realmente um convite e, apesar de ter analisado prós e contras, não me foi possível aceder devido ao contrato que neste momento me liga ao Prainsa Saragoza.     

8. Pensas regressar a Portugal?

Neste momento estou com a cabeça em Espanha e no meu actual clube, porque considero que tenho condições para continuar, e é objectivo de qualquer jogadora poder manter-se o maior tempo possível ao mais alto nível.

Darei prioridade ao Prainsa Saragoza por tudo aquilo que me proporcionaram este ano, mas um possível regresso a Portugal será sempre para equipa  onde me formei como jogadora: o 1.º de Dezembro.

Sobre o Campeonato português

1. O que pensas sobre o Campeonato português de Futebol Feminino?

Penso que é um campeonato onde há grande ausência de competividade, e que lhe faltará muito tempo e algumas mudanças para que se torne mais atractivo e, no fundo, competitivo.

2. Quais as principais diferenças, no teu entender, entre o Campeonato português e a Superliga espanhola?

Primeiro que tudo, o número de equipas que disputam o campeonato. Para quem não sabe, aqui em Espanha são 16 equipas a participar na 1.ª divisão de futebol feminino. Há coisas básicas que deviam ser asseguradas, como os campos deixarem de ser em terra batida, os apoios serem mais e maiores, e os clubes apostarem de forma mais séria e digna no futebol feminino, começando pela formação.

3. Vão haver algumas alterações nos quadros competitivos já para a época 2009/2010, tais como o aumento do número de equipas na 1ª Div.. Achas que vão trazer bons resultados?

Se o nível das equipas for bom penso que sim, sem dúvida.

4. O que achas que seria importante mudar, ou como achas que o futebol feminino português poderia desenvolver-se?

Como já mencionei acima, para mudar o futebol feminino seria indispensável apostarem mais, darem outro tipo de apoios e apresentarem verbas capazes de darem um rumo diferente, com mais futuro.    

5. Achas que será possível chegar ao nível da Superliga espanhola?

Neste momento, e a longo prazo, penso que não porque em Portugal não se investe no futebol feminino.

6. O que acaba por acontecer é a emigração (para Inglaterra, Islândia, Espanha, EUA…,) dos grandes valores do futebol feminino português. Como encaras essa situação?

Encaro a situação com naturalidade, até porque se queres evoluir e concretizar alguns dos teus objectivos não será na liga portuguesa que os vais alcançar, com muita tristeza minha.

7. O que pensas do regresso do Professor Nuno Cristóvão ao Futebol Feminino?

Na verdade nunca tive o privilégio de trabalhar com o Professor Nuno* mas, por tudo aquilo que tenho ouvido falar – que por sinal só coisas boas – fico muito contente que ele tenha voltado ao futebol feminino e, em particular, ao 1.º Dezembro.

Espero que faça um grande trabalho, que deixe a sua marca como na Selecção, e que um dia eu possa desfrutar de todo o conhecimento que possui, jogando na sua equipa. Desejo-lhe boa sorte e que tudo lhe corra bem.

Sobre a Selecção Nacional AA

1. Da prestação no Mundialito 2009 que balanço fazes?

Faço um balanço muito positivo! A Selecção tem vindo a crescer e os resultados estão à vista de todos. Não podemos esquecer que ganhámos o nosso grupo, com 3 merecidas vitórias, e que depois nos batemos contra a Finlândia de igual para igual. A Finlândia é uma Selecção forte.

Acho que o grupo está consolidado e há que continuar a trabalhar da mesma forma. É um orgulho enorme poder fazer parte deste grupo.

2. E em termos pessoais?

Penso que em termos pessoais cumpri com aquilo que me foi exigido. Claro que para isso também contribuiu o bom desempenho da equipa em termos colectivos. Para o ano espero estar presente e poder fazer mais e melhor.

3. Que conselhos, como internacional AA e profissional de futebol, darias às jogadoras mais novas que têm o sonho de chegar a esses dois patamares?

Que acima de tudo acreditem em si próprias e nunca desistam de lutar pelos seus objectivos ou sonhos. Com muito trabalho e dedicação é mais fácil atingirmos as metas a que nos propomos.

Chegar à Selecção Nacional foi o ponto mais alto na minha carreira desportiva! É uma sensação única envergar a camisola de todos nós, e por tudo isso continuarei a dignificá-la como o tenho feito até agora.

Queres acrescentar alguma coisa que aches importante que conheçamos?

Uma palavra de agradecimento a todas as pessoas que trabalham diariamente neste blogue. Desejo e continuação de grandes vitórias e muitos títulos! 

Sónia Matias 

 

Sónia Matias no Prainsa vs Atlético de Madrid. Mais um grande clube do Futebol mundial a apostar no Futebol Feminino

Sónia Matias no Prainsa vs Atlético de Madrid. Mais um grande clube do Futebol mundial a apostar no Futebol Feminino

 

* Nota nossa: Sónia Matias foi jogadora de Futsal durante largos anos, tendo dado os primeiros passos (1ª época: 2004/2005) no Futebol de 11 quando o Professor Nuno Cristóvão deixou o lugar de Seleccionador Nacional de Futebol Feminino, em 2004.

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