Carla Couto: a mais internacional das internacionais

A atleta do SU 1.º Dezembro, Carla Couto falou à FPF acerca da sua experiência na Selecção Nacional AA, dos seus objectivos e dos seus sonhos.

Carla Couto no Campo Conde Sucena, Sintra

Carla Couto no Campo Conde Sucena, Sintra

“Sonho por cumprir”

Terça-Feira , 10 Março 2009

Com 44 jogos, nas 13 edições do Algarve Women’s Football Cup 2009 – Mundialito de Futebol Feminino em que participou, Carla Couto já apontou 13 golos e faz parte do leque de três jogadoras que ocupam a terceira posição no ranking de goleadoras da competição. O fpf.pt falou com Carla Couto e ficou a saber que o seu sonho é participar numa fase final, nem que seja depois de abandonar a sua carreira de futebolista. 

Sonho marcar presença numa fase final
Carla Couto revelou que o seu sonho ainda está por cumprir e gostaria de o realizar como jogadora ou em outra qualquer função. “Os resultados que a Selecção tem vindo a verificar também servem de alento à minha continuidade, mas já não tenho 20 anos. Quero continuar a fazer parte deste processo de desenvolvimento, mesmo que não fosse como jogadora… Gostava de transmitir a minha experiência e ajudar as jogadoras mais jovens a melhorar a nossa Selecção, depois de a ter representado durante 16 anos. Gostaria muito de participar numa fase final de um Europeu ou de um Mundial. Nem que fosse como Embaixadora da Selecção… Estarei sempre disponível, pois esse é o meu sonho de carreira!” 

“Este é um grupo bastante responsável”
Em relação ao jogo de amanhã, diante da Finlândia (às 11h30, em Lagos), no qual estará em jogo a atribuição do 7º e 8º lugares do Algarve Cup, a jogadora lusa espera “dificuldades próprias que uma equipa que tem evoluído muito pode criar. A Finlândia tem efectuado uma aposta muito forte no Futebol Feminino. Essa estratégia tem dado resultados e hoje ombreia com as maiores potências. Sabemos que não nos esperam facilidades, mas o nosso grupo tem qualidade para lutar por um bom resultado. Mal de nós se entrássemos em campo a pensar que iríamos perder. Acreditamos que vamos vencer, até porque temos um grupo muito forte e coeso – a vitória é o nosso objectivo. Vamos discutir lance a lance o resultado. Temos um grupo muito responsável que sabe que é importante vencer este jogo. Seria bastante bom estarmos ao nosso melhor nível, pois jogar bem é a melhor promoção que podemos fazer do Futebol Feminino”, analisou.

“Equipa mais competitiva”

Carla Couto reconhece que estes resultados nesta edição Algarve Cup estão ligados ao trabalho que tem sido desenvolvido. “Estive um ano afastada da Selecção e encontrei um grupo com a moral em baixo, mas estes resultados têm-nos ajudado a melhorar. Encontro agora um grupo com um grande carisma. A aposta que foi feita pelos seleccionadores ao chamar jogadoras luso-descendentes resultou de forma muito positiva. Essas jogadoras estão habituadas a jogar em campeonatos mais competitivos, a um futebol mais agressivo e isso é transportado para este grupo de trabalho. A experiência e o valor que demonstram são uma mais-valia para a Selecção e têm ajudado a dar a volta por cima, depois de um ciclo de resultados negativos.”

 “Temos outra confiança”
Carla Couto representa a Selecção desde 1993 e nota grandes diferenças na forma de jogar na Selecção. “Existe um grande querer e vontade neste grupo de trabalho. Sinto que a mentalidade mudou. Formamos um grupo forte com um pensamento muito positivo. Noto que hoje há grande confiança, já não jogamos a bola para a frente como antigamente. Agora trazemos a bola controlada da frente para trás, conseguimos controlar melhor a bola e o jogo… Essa confiança não existia anteriormente. Tem sido feito um trabalho muito positivo e o trabalho nos clubes, que é totalmente diferente do de antigamente, tem sido preponderante. Muitas pessoas fizeram um investimento forte na sua dedicação ao Futebol Feminino e hoje já se vêem alguns resultados desse trabalho. “ 

“Aquilo que cada uma de nós rende na Selecção é o reflexo do trabalho que desenvolvemos diariamente. Não podemos esperar chegar à Selecção e que os resultados apareçam. É preciso trabalhar todos os dias.”

“Lutar por uma fase final”
A internacional lusa acredita que dentro de algum tempo será possível que Portugal lute por uma presença numa fase final. “Com a evolução que se tem registado, caso exista uma aposta mais efectiva no Futebol Feminino, penso que dentro de algum tempo será possível lutarmos pela presença numa fase final de um Europeu ou Mundial. Acredito no trabalho que está a ser desenvolvido por pessoas sérias e com capacidade. As medidas que estão a ser tomadas são positivas, tal como a qualidade e o valor das nossas jogadoras podem ser potenciados. Se o processo for bem conduzido, dentro de algum tempo podemos subir no ranking e estar num patamar acima. As pessoas que estão à frente da Selecção são competentes. É preciso que as pessoas acreditem neste trabalho que está ser desenvolvido para passarem a olhar para nós com outros olhos.”

“Tento integrar todas as jogadoras… Não é difícil, pois sou muito brincalhona”
Carla Couto é um símbolo da Selecção Feminina ‘A’, mas tenta sempre “integrar e colocar à vontade as jogadoras mais novas”. 

“É natural, por ser mais velha, que as jogadoras mais novas não venham logo falar comigo, mas sou muito brincalhona e elas ficam mais à vontade ao fim de uns tempos. Não sinto que elas olhem para mim de uma forma diferente, mas talvez mais como um exemplo pelo currículo que apresento. Nesta Selecção somos todas iguais”, explicou.

Sair pela porta grande
Carla Couto é Embaixadora da Selecção e conta com 114 internacionalizações. Aos 34 anos, não pensa abandonar a carreira de futebolista tão cedo. “Comecei aos 12 anos a jogar futebol de cinco e espero continuar a jogar enquanto me sentir capaz de ajudar. Quero sair bem do Futebol, pois dei muito de mim e joguei durante muitos anos. Não posso dizer se jogarei mais um ou dois anos, mas quero continuar… Tinha o objectivo de ser a jogadora com maior número de internacionalizações e lutei muito por esse objectivo. Sintetizando, gostaria de sair pela porta grande”.

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