“A Selecção é o meu Clube”

Edite Fernandes (© FPF)

Edite Fernandes (© FPF)

 

A Selecção Nacional Feminina A regressou, este sábado, ao trabalho, pelas 11h15, para uma sessão de trabalho que decorreu no Complexo Desportivo do Hotel Montechoro. Depois de ontem terem garantido a segunda vitória do Algarve Cup 2009 – Mundialito de Futebol Feminino, diante do País de Gales, por 2-1, as jogadoras lusas efectuaram trabalho de recuperação activa num treino reduzido. As jogadoras com menor tempo de utilização testaram a pontaria à baliza – em exercícios de finalização – com a oposição das guarda-redes Jamila Marreiros e Neide Simões. 

Emily Lima regressa a Espanha
A selecção feminina ficará privada, nos próximos jogos, do concurso de Emily Lima que, por motivos profissionais, regressa este sábado ao seu clube – o UE L’Estartit.

“A Selecção é o meu clube”
O fpf.pt falou com Edite Fernandes que apontou dois tentos nos dois últimos encontros da nossa Selecção. A jogadora lusa que já passou pelo 1º de Dezembro e representou clubes na China, em Inglaterra e em Espanha, aponta algumas diferenças entre o espírito vivido nos clubes e na Selecção. “Num clube nós trabalhamos juntas diariamente, mas na Selecção é tudo completamente diferente, porque estamos a representar o nosso país e o nosso orgulho. É um sentimento único representar a Selecção. Não posso comparar o balneário da nossa Selecção com o de qualquer clube, pois não é possível fazê-lo. Se a Selecção fosse um clube seria o meu para sempre, porque é aqui que eu me sinto bem, tenho as minhas alegrias e também as minhas tristezas. Estou junto das minhas amigas…”, 

“Algarve Cup é uma grande montra”
O facto do Algarve Cup ser uma das maiores competições do calendário do futebol feminino mundial “traz-nos maiores responsabilidades”, admite Edite Fernandes que participa nesta prova pela décima vez (com presenças desde 1998, falhando apenas a edição de 2000). A jogadora lusa já efectuou 32 jogos nesta competição sabe que “é um momento importante para todas nós. Sentimos a responsabilidade e a pressão de quem está a participar num momento importante. Neste torneio participam as melhores selecções do Mundo e sabemos que uma boa prestação, uma boa classificação coloca os olhos sobre nós e sobre o futebol feminino. Este torneio é muito importante para o desenvolvimento do futebol feminino português. Se todas as pessoas que assistem aos jogos na televisão verem que jogamos bem e que realmente existe uma Selecção Nacional de Futebol Feminino o futebol português só pode sair prestigiado. Para nós, jogadoras, este Torneio também serve de montra porque é visto e se fala dele em todo o Mundo. Todas as equipas estão atentas”, analisa. 

“Fazer o pleno”
Edite Fernandes quer continuar a vencer neste Mundialito. “Queremos fazer o pleno alcançando a vitória no próximo jogo diante da Áustria. Estivemos bem nos dois últimos jogos e queremos continuar a evidenciar a mesma qualidade.”

“União e espírito de sacrifício”
Edite Fernandes considera que “desde que a Seleccionadora Nacional, Mónica Jorge, e o Professor Sacadura assumiram funções na Selecção temos registado vitórias importantes e resultados positivos que têm possibilitado o fortalecimento do espírito de grupo. Esses resultados têm sido importantes para ganharmos confiança para lutar por outros objectivos. Tem existido uma grande união e espírito de sacrifício que nos tem possibilitado conseguir esses resultados. 

Sonho estar presente numa fase final
Como jogadora de ataque, Edite Fernandes almeja conseguir muitos golos, mas o seu principal sonho é “participar numa fase final de um Europeu ou Mundial”.

“Sentimos sempre um nervosismo miudinho”
Aos 29 anos, a avançada do Prainsa Zaragoza de Espanha, está à beira da 75ª internacionalização – conta com 74 internacionalizações e 16 golos –, mas isso não faz com que não sinta um “nervoso miudinho” antes de cada jogo, confessa. “Costumamos ouvir música antes de entrarmos para o campo e eu que, normalmente, sou muito recatada – faz parte da minha maneira de me concentrar – fui para o meio do grupo. Foi uma forma de libertar a tensão e refrear emoções. 

“Nós, as jogadoras mais velhas, não podemos transmitir às atletas mais novas a ideia de que estamos nervosas. Somos vistas como um exemplo e temos de nos manter como tal, mas somos seres humanos e sentimos a pressão em todos jogos, fundamentalmente numa altura em que estamos a conseguir vencer e as pessoas exigem mais de nós”, explicou. 

“Apoiamos as jogadoras mais novas”
A Selecção Nacional apresentou-se nesta competição com três jogadoras sem qualquer internacionalização A – Ana Borges, Dolores Silva e Mónica Gonçalves –, mas as jogadoras com mais experiência apoiam sempre as mais novas. “Temos uma equipa que proporciona uma integração muito boa das novas jogadoras. Somos um grupo unido que aceita bem o valor das jogadoras que entram de novo, sejam elas jovens ou não. Desde que haja valor é sempre benéfica a entrada de novos elementos”, explicou. 

Ana Borges esteve em particular destaque nos dois últimos encontros. A jogadora que se estreou a marcar na sua primeira internacionalização é colega de equipa de Edite Fernandes que se mostrou muito satisfeita com o sucesso da colega. “Temos um contacto diário e existe uma grande proximidade entre nós. Tento dar-lhe alguns conselhos e alguns exemplos. A Ana é jovem e convém que as jogadoras mais jovens que querem singrar no mundo do futebol sejam conduzidas no bom caminho.”

in fpf.pt

 

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