Profissionalismo

«Futebol:  Portuguesas “obrigadas” a seguir profissionalismo»

Agência Lusa

Edite Fernandes e Sónia Matias, © odivelas.wordpress.com

Edite Fernandes e Sónia Matias, © odivelas.wordpress.com

«Rio Maior, Santarém, 19 Fev (Lusa)

Contra vontade própria, as cinco jogadoras portuguesas de futebol que alinham em clubes espanhóis foram “obrigadas” a enveredar pelo profissionalismo.

“Somos semi-profissionais, neste momento não temos outra ocupação, mas o futebol feminino em Espanha já começa a dar para viver, ainda não como desejávamos, mas já vai dando”, explicou hoje a médio centro Cláudia Neto, 20 anos, que, juntamente com Edite Fernandes, Sónia Matias e Ana Borges, joga no Prainsa Saragoça.

Reconhecendo que o profissionalismo “não é um sonho”, a defesa esquerdo Sónia Matias, 25 anos, realça a vontade de “encontrar um trabalho”, dada a monotonia do quotidiano: “Passamos os dias em casa, na Internet e a ver televisão, sempre à espera da hora do treino, mas ainda não encontrámos trabalho”.

“É chato, uma pessoa não está activa. Era bom encontrar um trabalho. Se, na próxima época, ficar no Prainsa vou voltar a estudar”, frisou a extremo direito Ana Borges, 18 anos, recordando a “surpresa” pelo convite para emigrar.

Aos 29 anos, a avançada Edite Fernandes, que já jogou em Inglaterra e na China, explicou que a transferência das portuguesas para o clube espanhol ocorreu sem a mediação de empresários.

“Eu própria cedi alguns vídeos e informações sobre mim para o clube e a transferência acabou por concretizar-se. Inicialmente fui eu e a Sónia Matias e depois aconselhamos a Cláudia e a Ana”, justificou Edite Fernandes. “O futebol feminino em Portugal não compensa. Em Espanha já vai compensando, mas depende das jogadoras e dos contratos”, acrescentou.

Já a luso-brasileira Emily Lima, 28 anos, depois de vários anos de profissionalismo, optou por abandonar o Prainsa Saragoça e ingressar no também primodivisionário espanhol UE L’Estartit para começar a trabalhar numa fábrica de persianas. “Este ano comecei a trabalhar porque o dia era sempre muito longo e fazia com que a vontade de regressar ao Brasil fosse enorme”, referiu a médio centro, manifestando a satisfação pelo início da nova actividade: “Nunca tinha feito nada, sempre tinha jogado só futebol e estou a gostar, mas não sei se irei continuar nos próximos anos”.

A distância dos montantes registados nos ordenados de jogadores masculinos e os horários em pós-laboral dos treinos justificam a vontade das futebolistas portuguesas, que corroboram a ideia de que a emigração “tem feito muito bem à selecção portuguesa”, conferindo-lhe “mais qualidade, valor e competição”.

A selecção feminina de futebol terminou hoje um estágio de preparação, em Rio Maior, tendo em vista os confrontos frente às selecções da Polónia, País de Gales e Áustria, no Mundialito, que vai realizar-se no Algarve, entre os dias 04 e 11 de Março. »

JPS

É com agrado que vemos companheiras partir, apesar de tudo, uma vez que sabemos tratar-se do sonho de qualquer jogadora de futebol.

Muito embora a Europa do Futebol Feminino tenha começado a abrir portas a inúmeras jovens portuguesas, os Estados Unidos – a Meca da modalidade na actualidade – é ainda um destino difícil. Basta percorrer esta lista (womensprosoccer.com) para percebermos que está a dar-se um verdadeiro êxodo rumo à nova liga profissional de futebol feminino nos Estados Unidos da América, onde foram contratadas jogadoras como Kelly Smith (Ing.) ou Rosana (Aus.) e Marta (Sue.) que até há bem pouco jogavam em ligas europeias.

Para quando uma portuguesa (não luso-americana, luso-francesa ou luso-brasileira) na liga profissional de Futebol Feminino dos EUA?

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