
Maria JOão Xavier (*) aceitou o desafio
«Escrever umas linhas sobre o regresso do Prof. Nuno Cristóvão ao futebol feminino é algo que faço com enorme prazer. Afinal, não é segredo a estima e admiração que tenho por ele enquanto pessoa e, obviamente, pela dedicação, esforço e capacidade com que tentou mudar o rumo do futebol feminino. Algumas conquistas do futebol feminino a ele se deve e há que reconhecer o seu a seu dono (basta recordar que a Selecção Feminina Sub 19 existe pelo seu esforço e persistência). Podia enumerar mais uma série de “feitos” mas sei que o Prof. não iria gostar.
A sua passagem, ao longo de quatro anos, pela Federação Portuguesa de Futebol nem sempre foi pacífica e traduziu-se numa voz activa, a vários níveis, no que ao futebol feminino dizia respeito. Mesmo depois de ter deixado o comando das selecções femininas, continua a ser um elemento de referência nesta vertente do futebol. Exemplo disso são as várias intervenções que tem efectuado a pedido de várias associações/instituições.
O seu baptismo nestas andanças no futebol das mulheres e das raparigas, como assim lhe chama carinhosamente o Prof. Nuno, remonta ao longínquo ano de 1985, na extinta equipa Grupo Sportivo de Carcavelos.
O seu regresso, creio, é de saudar por todo(a)s que continuam a acreditar que é possível dar novo rumo ao futebol feminino. Tenho a certeza que será mais uma voz nesta batalha constante de perseguição de mais e melhor para esta vertente que tanto nos faz (fez) correr.
Sem qualquer demérito pelo trabalho efectuado a época transacta pela Helena Bento (garantiu a rota das vitórias, 20 consecutivas com proposta ao Guiness Book), estou certa a inclusão do Prof. Nuno no comando técnico da equipa será uma enorme mais valia para o 1º Dezembro.
Será, sem dúvida, um novo desafio na sua extensa carreira de treinador. Mas estou em crer que o projecto de 3 anos que lhe foi apresentado, tem com toda a certeza motivos que o levaram a acreditar que se pode fazer muito mais pelo desenvolvimento do futebol feminino. O novo formato da competição europeia feminina de clube é, para qualquer treinador, um objectivo aliciante e motivador.
Juntando ao projecto supracitado, o aporte de conhecimento que tem, assim como o da sua equipa técnica (ninguém trabalha sozinho, não haja ilusões), os desafios que irão ser colocados, em minha opinião, irão motivar, em primeira instância, o clube e, ainda, todos aqueles que gostam de futebol feminino e que desejam que este evolua sempre e cada vez mais.
Bom regresso, Prof. Nuno!»

Maria João Xavier
( * Ex-jogadora do Sporting Clube de Portugal, do Gatões F.C. e do S.U. 1.º Dezembro, entre outros, somando a conquista de 5 Campeonatos Nacionais. Ex-internacional AA por 76 vezes e colaboradora da extinta secção feminina do Vitória F. C.)