“Jornada portuguesa” na Superliga espanhola

02/05/2009
Sporting de Huelva vs Prainsa Zaragoza

Sporting de Huelva vs Prainsa Zaragoza

O Sporting C. de Huelva de Rita Carneiro, receberá este domingo, pelas 12 horas locais, o Prainsa Zaragoza (CD Transportes Alcaine, adquire o nome do patrocinador) de Edite Fernandes, Sónia Matias, Ana Borges e Cláudia Neto.

© RFEF

© RFEF

A partida, ganhando significando pelo embate luso, fica ainda marcada pela luta renhida entre as duas equipas pelo acesso à Copa de la Reina, da Real Federaciòn Española de Fútbol. Acontece que só os primeiro oito classificados da 1ª divisão espanhola de futebol feminino têm acesso a esta prova, a segunda mais importante competição nacional da modalidade. 

Eis então a classificação antes da partida:

Classificação da 1ª divisão espanhola de futebol feminino, a duas jornadas do fim do campeonato

Classificação da 1ª divisão espanhola de futebol feminino, a duas jornadas do fim do campeonato

Como não podem ganhar as duas formações, desejamos a ambas o melhor! 

Em particular, força Edite, Rita e Sónia! E muito obrigada por partilharem o (vosso) mundo do futebol feminino profissional connosco!

Contaremos trazer, nos próximos dias, os ecos deste jogo emocionante até ao www.1dezembro.wordpress.com.


Entrevista a Rita Carneiro, Profissional de Futebol e Internacional AA

02/05/2009

 

Rita Carneiro, 25 anos, polivalente do Sporting C. de Huelva e Internacional Sub-19 e AA

Rita Carneiro, 24 anos, polivalente do Sporting C. de Huelva e Internacional Sub-19 e AA

 

Sobre a aventura em Espanha

1. Como surgiu a oportunidade para jogar em Espanha, na 1ª Division Femenina – Superliga, através do Sporting de Huelva?

A oportunidade surgiu através da Liliana Martins (internacional AA) e da Joana Pavão que, quando vieram para cá, lhes foi dito que a equipa precisava de uma avançada. E assim foi: não tinha muita coisa que me prendesse a Portugal e arrisquei.

Já viram com o passar dos anos, as voltas que o futebol dá? Naquela altura jogava com avançada e actualmente sou lateral esquerdo. No primeiro ano jogávamos na 2.ª Divisão com o objectivo de subir à 1.ª e cumprimos, depois de jogar uma liga de acesso com 3 equipas.

2. Há quantos anos jogas em Espanha e como é ser profissional de Futebol Feminino?

Este é o meu 4.º ano. Somos só duas as sobreviventes daquela equipa que conseguiu a subida de divisão. Aqui não somos consideradas profissionais, mas sim semi-profissionais. Mas sim, vivo do futebol…

Às vezes é um pouco aborrecido porque se não faz mais nada, sobra-nos muito tempo livre até à hora de treinar. Mas enfim, vamos tentando fazer de tudo um pouco para ocupar o dia. Reconheço, sem dúvida, que é um privilégio poder viver só do futebol.

3. Como foi a adaptação à Superliga espanhola? Tiveste de aumentar os níveis físicos e técnicos para te colocares ao nível das outras jogadoras?

No 1.º ano a minha equipa teve algumas dificuldades, mas sobretudo por falta de experiência.

A nível físico, tínhamos um preparador excelente que nos colocou ao nível de outras equipas. Em termos técnicos o nível é alto, mas penso que pouco a pouco se é capaz de entrar na dinâmica desta liga.

4. Por que objectivos luta o Sporting de Huelva?

Este ano temos uma equipa mais competitiva e lutamos para ficar nos 8 primeiros para poder disputar a Copa da Rainha. Estivemos todo o ano nesses lugares, mas nestes últimos jogos as coisas complicaram-se e só temos um ponto de avanço. Para agravar a situação, estes últimos jogos serão complicados pois neste domingo jogamos com a equipa da Edite, Sónia e companhia (Prainsa Zaragoza) e não será fácil. E o último jogo será com a equipa que se sagrará  campeã – já não restam dúvidas quanto ao primeiro classificado.

Enfim, será difícil, mas acreditamos que é possível!!

5. Quando rumaste a Espanha, acompanhaste várias jogadoras portuguesas: a Ana Rita, a Joana e a Liliana (todas ex. 1.º de Dezembro). O que achas que as atletas portuguesas acrescentaram à equipa?

Já tinha tido o prazer de jogar com elas, mas aqui foi tudo muito mais intenso. São três grandíssimas jogadoras que acrescentaram, muita experiência e qualidade técnica. Em relação à Liliana, a equipa perdeu, sem dúvida, a melhor líder que alguma vez teve, dentro e fora do campo.

6. Como é a interacção com as tuas colegas? Alguma vez pesou o facto de seres estrangeira?

Desde o primeiro dia, tenho uma óptima relação com todas. Receberam-me super bem e nunca tive problemas por ser estrangeira.

7. Dada a boa prestação das atletas portuguesas por Espanha, têm-te surgido convites para projectos de maior dimensão?

Tive quase para acompanhar a Liliana, a Joana e a Ana Rita na aventura pela Islândia, mas decidi ficar por aqui… Por agora ainda não sei o que farei no futuro.

8. Passados tantos anos, não pensas regressar a Portugal?

Apesar de já aqui estar há 4 anos e de já ter aqui muitas coisas conseguidas, claro q penso em voltar, os meus laços estão aí… Só não sei quando nem em que circunstâncias.

Sobre o Campeonato português

1. O que pensas sobre o Campeonato português de Futebol Feminino?

Penso que está um pouco abandonado. Há muitas pessoas que tentam que evolua mas penso que faltam apoios e dedicação.

2. Quais as principais diferenças, em teu entender, entre o Campeonato português e a Superliga espanhola?

São muitas as diferenças. Aqui há muito mais apoios os orçamentos são muito maiores. A maneira de ver o desporto, em geral, e muito diferente.

3. Vão haver algumas alterações nos quadros competitivos já para a época 09/10, tais como o aumento do número de equipas na 1ª Div.. Achas que vão trazer bons resultados?

Sinceramente, não estou muito bem informada acerca desse assunto, mas penso que o aumento de equipas poderá dar a competitividade que falta ao campeonato português.

4. O que achas que seria importante mudar ou como achas que o futebol feminino português poderia desenvolver-se?

Como disse antes, com mais competitividade e com mais apoios.

5. Achas que será possível chegar ao nível da Superliga espanhola?

A curto prazo, penso que não. Mas se as pessoas que adoram o futebol feminino continuarem a lutar por ele, quem sabe um dia…

6. Acontece que os grandes valores do Futebol Feminino nacional acabam por sair de Portugal. Como vês essa situação?

Acho que Portugal tem muito boas jogadoras e pela falta de competitividade vêem-se obrigadas a seguir outros caminhos, longe daí. Parece-me também que, hoje em dia, no estrangeiro, dá-se muito mais valor às jogadoras portuguesas pela boa prestação das atletas que estão em outros campeonatos. Acho que é um orgulho que cada vez haja mais ofertas às nossas jogadoras.

7. O que pensas do regresso do Professor Nuno Cristovão ao Futebol Feminino português?

Uma grande notícia para o futebol feminino. É uma pessoa que gosta e entende o futebol feminino, e que luta por ele. Tive oportunidade de trabalhar com ele e foi um prazer. Desejo-lhe muito sucesso!

Sobre a Selecção Nacinal AA

1. Apesar de, pela primeira vez em alguns anos, não teres estado presente, que balanço fazes do Mundialito 2009?

Fizeram um óptimo torneio, o que é bom para o futebol feminino em geral.

2. Como vês o teu momentâneo afastamento Selecção, tendo tu tanta experiência e provas dadas como internacional Sub-19 e AA? Esperas voltar a representar a Selecção?

Talvez essa experiência e essas provas não sejam o suficiente para ser observada. E com um grupo já feito e forte não há lugar para mim. 

Acho que qualquer futebolista quer representar a sua Selecção, e eu não sou excepção.

4. Que conselhos, como internacional AA e profissional de futebol, darias às jogadoras mais novas que têm o sonho de chegar a esses dois patamares?

Se amam o futebol feminino, lutem por ele e nunca desistam. Mesmo que as oportunidades não cheguem, com trabalho e esforço conseguirão chegar ao mais alto do futebol.

Queres acrescentar alguma coisa que aches importante que conheçamos?

Obrigada pela oportunidade de participar no vosso blog.

Uma beijoca grande para Inês, Tânia e Cátia.

Ah, e desculpem a demora.

;)

 Rita Carneiro

 

Rita Carneiro (Sporting de Huelva) em disputa de bola com uma jogadora do Atlético de Madrid.

Rita Carneiro (Sporting de Huelva) em disputa de bola com uma jogadora do Atlético de Madrid.


Estudo sobre o qual se baseia a reportagem: “As alterações dos níveis de testosterona em resposta a situações de derrota e de vitória em jogadoras de futebol”

02/05/2009

 

Projecto em colaboração com a  Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e a Comissão Europeia através do Programa FEDER

Projecto em colaboração com a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e a Comissão Europeia através do Programa FEDER

Oliveira, T., et al., Testosterone responsiveness to winning and losing experiences in female soccer players. Psychoneuroendocrinology (2009)

Estrutura original do artigo:

1. Introduction

2. Methods

2.1. Participants

2.2. Data collection and psychological variables

2.3. Hormone assays

2.4. Statistical analysis

3. Results

3.1. Psychological and hormonal trait variables

3.2. Psychological and behavioral response to competition and to match outcome

3.3. Hormonal response to competition and to match outcome

3.4. Relationship between psychological variables, hormone levels and competitive behavior

4. Discussion

Role of the funding source

Conflict of interest statement

Acknowledgements

References

 

Sumário do artigo, com tradução nossa:

Trata-se de um estudo feito na época desportiva de 2003/2004, a partir de amostras recolhidas na extinta equipa de futebol feminino do Clube Futebol Benfica e na equipa do S.U. 1º de Dezembro.

Na sua generalidade, o estudo procurava analisar os níveis de Testosterona de forma a justificar comportamentos e reacções humanas em contexto social.

Assim, analisando e recolhendo amostras das duas equipas, os investigadores procuravam colmatar o défice de estudos sobre o comportamento feminino, nomeadamente no que aos níveis de Testosterona diz respeito, por oposição à profusão de estudos que abordam aquela hormona e a psicologia masculina.

Na prática, procedeu-se a uma colecta de saliva a jogadoras de futebol de ambas as equipas e foram também realizados questionários. As amostras de saliva foram colhidas num dia neutro (sem competição) e em dia de jogo, antes e após a partida entre as duas equipas Clube Futebol Benfica e S.U. 1.º de Dezembro.

As alterações verificadas nos níveis de Testosterona foram positivas (aumentando) na equipa que saiu vitoriosa, e negativas (diminuindo) na equipa que perdeu a partida.

Acrescenta-se ainda que foram registadas, paralelamente aos níveis hormonais, as variações de humor e de ansiedade nas duas formações, com resultados positivos na equipa vencedora, por oposição aos negativos da equipa derrotada.

 

Alterações, em ambas as equipas (vencedora/derrotada), nos estados de humor e de ansiedade durante a competição

Alterações, em ambas as equipas (vencedora/derrotada), nos estados de humor e de ansiedade durante a competição

 

 

Em suma, o artigo procura colocar em evidência que os resultados obtidos sugerem que a Testosterona também responde aos desafios sociais em seres humanos do sexo feminino, e que as alterações de humor, no contexto da competição, podem influenciar as variações de Testosterona

 

Níveis de Testosterona (A) e Cortisol (B) registados na equipa vencedora e na derrotada, em dia neutro e dia de jogo

Níveis de Testosterona (A) e Cortisol (B) registados na equipa vencedora e na derrotada, em dia neutro e dia de jogo

Um agradecimento especial a Sofia Carvalho, jogadora formada no Clube Futebol Benfica e capitã do Odivelas Futebol Clube,por nos ter dado a conhecer este artigo.

Quem quiser ter acesso ao trabalho original, por favor, escreva para su.primeirodezembro@gmail.com. Teremos todo o prazer de o disponibilizar.


Notícias Sábado, Diário de Notícias: “Elas também podem ser implacáveis”

02/05/2009

 

© Rui Coutinho, Notícias Magazine

© Rui Coutinho, Notícias Magazine

 

Hoje, na Revista que sai ao sábado com o conceituado Diário de Notícias – a Notícias Sábado - uma reportagem sobre um estudo realizado na época 2003/2004 contando com a colaboração dos clubes S.U. 1.º Dezembro e Clube Futebol de Benfica (cuja secção feminina foi entretanto extinta).

O estudo tinha por objectivo determinar e comparar os níveis e influência da testosterona no organismo feminino relativamente ao masculino. Para tal, as jogadoras forneceram amostras de saliva em dias sem jogo e nos momentos antes e depois da competição.

Os resultados pretendiam, também, relacionar os níveis desta hormona com a vitória e a derrota.

“Ao contrário do que geralmente se diz, o sexo feminino também gosta de competição. Tanto que as vitórias levam as mulheres, como os homens, a aumentar a produção de testosterona. Uma descoberta de investigadores portugueses que ameaça derrubar uma ideia antiga como a guerra dos sexos. Elas também podem ser implacáveis.”

Assim, resta-nos aconselhar a leitura do artigo para averiguarem os resultados obtidos.

Nota: publicaremos online a reportagem na íntegra, através da digitalização da Notícias Sábado, assim que nos seja possível.